sábado, 24 out 2020
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Bancos multinacionais foram cúmplices de mais de US$ 2 trilhões em movimentações suspeitas

Reportagem do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos analisou a relação dos bancos JPMorgan, Deutsche Bank, HSBC, Standard Chartered e BNY Mellon com clientes investigados por ilícitos

Uma reportagem realizada pelo ICIJ (sigla em inglês do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos) revelou que cinco bancos multinacionais considerados entre os mais importantes do mundo foram responsáveis pela movimentação de mais de 2 trilhões de dólares por parte de contas ligadas a clientes envolvidos em investigações por atividades ilícitas.

A denúncia aponta que os bancos JP Morgan (com cerca de 514 bilhões de dólares) e Deutche Bank (1,3 trilhão) foram os que mais estiveram envolvidos em transações de clientes suspeitos de corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros, as quais foram realizadas entre os anos de 1999 e 2017. Também há casos de clientes investigados por crimes como tráfico de drogas e terrorismo.

Outros bancos grandes, como o HSBC, o Standard Chartered Bank e BNY Mellon também movimentaram valores em grandes quantidades. As investigações mostram que os bancos não tomaram nenhuma providência contra as movimentações suspeitas, mesmo quando souberam que se tratavam de clientes investigados. No entanto, as reportagens também afirmam que a simples revelação dessas informações não configura (ainda) evidência de contravenção por parte das instituições bancárias.

As matérias do ICIJ foram publicadas no Brasil pelas revistas Piauí e Época, e pelo site Poder360. Elas estão embasadas em cerca de 2 mil documentos da FinCEN (sigla em inglês da Rede de Investigação de Crimes Financeiros, uma agência ligada ao Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. A apuração teria durado cerca de 16 meses e reuniu mais de quatrocentos jornalistas, de 88 países diferentes.

Victor Farinelli
Victor Farinelli
Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos, há 15 anos é correspondente na Argentina (2004 e 2005) e no Chile (desde 2006).