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22 de outubro de 2019, 06h56

Boaventura de Sousa Santos: Bolsonaro é um neofascista e Brasil será o próximo a viver convulsão social

"Quando as pessoas começarem a sentir no bolso das famílias a consequências dessas políticas neoliberais vai haver consequências e eventualmente traduzir-se-á em convulsão social", disse o sociólogo português, que participa de reunião na UFF

O sociólogo português Boaventura de Sousa Santos (Reprodução)

No Brasil para participar da abertura da reunião anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped), realizada na Universidade Federal Fluminense (UFF), o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos criticou duramente o governo Jair Bolsonaro, a quem classifica como um neofascista, e diz que o Brasil deve ser o próximo país da América Latina a entrar em uma convulsão social.

“Os portugueses, a partir de 2016, fizeram uma descoberta que o neoliberalismo é uma mentira. Não cria boa imagem para o país, não cria paz social e não cria investimento. E o Brasil, em breve, será o próximo. Quando as pessoas começarem a sentir no bolso das famílias a consequências dessas políticas neoliberais vai haver consequências e eventualmente traduzir-se-á em convulsão social”, afirmou em entrevista a Bruno Alfano, na edição desta terça-feira (22) do jornal O Globo.

Boaventura disse ainda que vê a gestão Bolsonaro como “pior possível”, que está causando um “dano extraordinário ao Brasil”.

“Para mim. [Bolsonaro] é um neofacista. É um homem que não estava preparado para dirigir um país, nem sequer para dirigir uma empresa, ao contrário do Trump que pode dirigir uma empresa. E penso que Bolsonaro tem causado um dano extraordinário ao Brasil porque veio legitimar tudo aquilo que havíamos pensado que havia sido superados. Ele está fazendo com que o Brasil seja um objeto de risada internacional nesse momento. O Brasil é ridicularizado em todo lado. Muitas vezes, europeus mais oficializados não podem (rir) porque precisam respeitar o país, e é preciso respeitar o povo, mas não se respeita o presidente deste país. Mas não penso que ele é estúpido. Isso é uma estratégia”, disse.

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