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09 de janeiro de 2019, 18h20

Bolívia denunciará Brasil à ONU por “racismo de Estado”

O motivo é a declaração depreciativa sobre índios e Bolívia feita pelo deputado Rodrigo Amorim (PSL); de acordo com o vice-ministro de Descolonização boliviano, essa será só a "primeira" denúncia: "Com Bolsonaro, o racismo é uma política de Estado no Brasil"

Reprodução

O vice-ministro de descolonização da Bolívia, Félix Cárdenas, informou à imprensa boliviana nesta terça-feira (8) que denunciará o Brasil à Organização das Nações Unidas (ONU) por “racismo de Estado”. De acordo com Cárdenas, a denúncia será protocolada na Revisão Periódica Anual do órgão, quando os países membros analisam situações discriminatórias e que envolvem os direitos humanos.

O motivo é a declaração proferida pelo deputado estadual bolsonarista Rodrigo Amorim (PSL-RJ) na última semana, quando comentava a situação da Aldeia Maracanã, no Rio de Janeiro. “Quem gosta de índio, que vá para a Bolívia, que, além de ser comunista, ainda é presidida por um índio”, disse, em tom depreciativo, o parlamentar, que é o mesmo que quebrou uma placa com o nome da ex-vereadora Marielle Franco na Praça Floriano, em frente à Câmara Municipal.

De acordo com o vice-ministro, a fala do deputado brasileiro configura “racismo de Estado” pois foi proferida por uma autoridade e se referiu a um presidente da República. “Vamos denunciar o Brasil (…) por iniciar um processo de discriminação racista, especialmente contra a Bolívia, mas não apenas contra a Bolívia, mas contra todos os povos indígenas”, explicou.

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Segundo Cárdenas, essa será apenas a “primeira” denúncia contra o Brasil pois o país teria adotado, com o presidente Jair Bolsonaro, o racismo como “política de Estado”. “É apenas o começo. Com Bolsonaro, o racismo é uma política de Estado do Brasil, do seu presidente e do seu governo”, disparou, logo após comentar as medidas do presidente eleito que colocam em risco a vida de dezenas de comunidades indígenas no país.

*Com El Deber 


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