O que o brasileiro pensa?
04 de julho de 2020, 09h23

Brasil é um dos países mais preocupantes em relação à escravidão moderna, diz OIT

Estudo realizado em 2017, em parceria com a fundação Free Walk, também diz que há cerca de 40 milhões de pessoas trabalhando nessas condições, e que as crianças representam cerca de 25% dessa mão de obra

Local onde idosa foi resgatada em bairro nobre da capital paulista (Foto: Ministério Público do Trabalho)

Reportagem atualizada às 11h35 de 04/07/2020

Uma reportagem do site ByLine Times, escrita pelo jornalista James Melville, publicada nesta quinta-feira (2) mostrou resultados realmente assustadores: cerca de 40, milhões de pessoas vivem atualmente sob regime de trabalho considerado como “escravidão moderna”.

A matéria é baseada em um relatório da OIT (Organização Internacional do Trabalho), feito em parceria com a fundação Free Walk, em 2017.

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Os resultados também mostram que a indústria cafeeira é uma das principais responsáveis pelo problema no mundo: o estudo estima que cerca de 2 bilhões de xícaras de café são consumidas por dia no mundo como resultado da escravidão moderna.

Outro problema importante é a quantidade de menores de idade que sofrem com este flagelo, já que elas representariam cerca de 25% do total, ou seja, há mais de 10 milhões de crianças e adolescentes escravizadas no mundo.

Grandes empresas envolvidas na produção de café e chocolate admitiram em comunicados recentes que são conscientes do problema. Por exemplo, a Nestlé, uma das gigantes desse mercado, afirmou que não pode “garantir totalmente que removeu completamente as práticas de trabalho forçado ou violações dos direitos humanos”.

O Brasil é um dos países cujo panorama é mais preocupante. Por exemplo, o informe mostra que, a nível mundial os trabalhadores rurais ficam com entre 7% e 10% do preço de varejo do café, enquanto no Brasil esses mesmos trabalhadores ganham menos de 2% do preço.

O relatório também mostra que os trabalhadores do café no Brasil costumam ser traficados para trabalhar por pouco ou nenhum salário, e são forçados a viver em pilhas de lixo e a beber água ao lado de animais.

Outro problema é que muitos desses trabalhadores brasileiros enfrentam essa situação de servidão por dívidas ou contratos de trabalho inexistentes, além de se sujeitar à exposição a pesticidas mortais, falta de equipamento de proteção e acomodações sem portas, colchões ou água potável.


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