Candidato de Evo, favorito nas eleições da Bolívia, tem conta de Twitter bloqueada

O economista Luis Arce, do MAS (partido de esquerda criado por Evo Morales), foi punido por suposta “atividade inusual”, segundo a empresa. O candidato lidera as pesquisas com percentual que poderia levá-lo à vitória já no primeiro turno

Na tarde desta segunda-feira (22), o Twitter decidiu suspender a conta do economista Luis Arce, candidato do MAS (Movimento Ao Socialismo) à presidência da Bolívia.

A empresa justificou a decisão alegando “atividade inusual” na conta, mas sem dar maiores detalhes a respeito de quais seriam essas supostas atividades que contrariam as regras da plataforma.

A censura a Arce ocorre em meio a outra perseguição contra todo o partido MAS, iniciada pelo TSE (Tribunal Supremo Eleitoral da Bolívia), que ameaça cassar o registro do partido e exclui-lo das eleições.

O MAS é o partido favorito, segundo todas as pesquisas, tanto para as eleições presidenciais quanto para as legislativas, marcadas para setembro – caso não haja um novo adiamento, já que esta é a terceira data, as duas anteriores foram descartadas pela ditadura vigente no país desde novembro de 2019.

Segundo as pesquisas, Luis Arce tem entre 35% e 37% das intenções de voto, e mais de 10 pontos percentuais a mais que o segundo colocado, Carlos Mesa, que tem entre 20% e 23%, dependendo da pesquisa. Na Bolívia, um candidato pode vencer as eleições no primeiro turno se fizer mais de 40% dos votos e tiver mais de 10% a mais de votos que o segundo colocado, o que permite a Arce sonhar com uma vitória já nesta fase.

Também vale lembrar que o MAS é o partido fundado por Evo Morales, e governou o país entre 2006 e 2019, até o golpe de Estado que derrubou o primeiro presidente indígena da história do país. No dia 12 de novembro de 2019, os líderes das Forças Armadas, que obrigaram Morales a renunciar, impuseram a senadora Jeanine Áñez na presidência, que assumiu o poder mesmo sem contar com fórum mínimo para ser aceita no cargo.

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Victor Farinelli

Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos, há 15 anos é correspondente na Argentina (2004 e 2005) e no Chile (desde 2006).