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08 de agosto de 2019, 12h25

Carta liga suplente de Major Olímpio à empresa relacionada ao clã Bolsonaro no caso Itaipu

Apesar de Alexandre Giordano negar qualquer relação com a Léros, carta de intenções da empresa foi endereçada a seu escritório, na zona norte de São Paulo, no mesmo prédio onde funciona o diretório do PSL

Em mensagens trocadas entre Pedro Ferreira, ex-presidente da estatal elétrica Ande, e o advogado José Rodríguez González, assessor jurídico informal da vice-presidência do Paraguay, é possível identificar o envio de uma carta de intenções, em nome da Léros – empresa ligada ao clã Bolsonaro – ao empresário Alexandre Giordano, suplente do senador Major Olímpio (PSL-SP). A empresa brasileira é acusada de ter se beneficiado do acordo secreto de renegociação entre Brasil e Paraguai no dia 24 de maio, que pode resultar no impeachment do presidente paraguaio, Mario Abdo.

Em entrevista à Piauí, Giordano negou qualquer envolvimento com a Léros em relação ao Paraguai. “Já trabalhamos juntos antes, mas fui representando a minha empresa, a Léros estava lá como outra empresa.” No entanto, na carta de intenções é possível confirmar que ela foi recepcionada pela ANDE, em 12 de julho deste ano, e logo enviada por Nicolás Kac Pinto a Alexandre Luiz Giordano. O endereço do destinatário, local onde estão as empresas de Giordano, também é sede do partido de Bolsonaro em São Paulo.

Carta de intenções da Leros. Do lado esquerdo, o nome de Giordano aparece como destinatário. (Foto: Telefuturo)

Outro ponto que chama a atenção é o teor da carta, que revela interesse na compra de energia da Ande pela empresa Léros. No entanto, já havia se passado mais de um mês que este item foi retirado do acordo. Ainda, o pacote, enviado pelo correio, vem endereçado da rua Rambla Gandhi 221, em Assunção, um endereço que não existe na capital paraguaia, mas sim em Montevidéu, no Uruguai.

Ao ser questionado sobre a presença de Giordano no Paraguay, o sócio-fundador e diretor-executivo da Léros, Kleber Ferreira, disse que a empresa enviou um representante à reunião atendendo a um chamamento público da estatal de energia paraguaia, mas negou que ele ou Giordano tenham se apresentado em nome do governo brasileiro. “Cada um foi ver possibilidade de negócios”, afirmou em entrevista à Piauí.

No entanto, em entrevista no sábado (3) ao jornal paraguaio Telefuturo, o advogado José Rodríguez Gonzávez contraria esta versão, dizendo que ambos se apresentaram como representantes do governo do Brasil. O ex-presidente da Ande, Pedro Ferreira, também confirmou esta afirmação em outra entrevista ao mesmo jornal.

Acordo secreto
O acordo secreto – cancelado após a crise que pode resultar na derrubada do mandatário paraguaio – com a renegociação do acordo entre Brasil e Paraguai sobre a Usina de Itaipu foi assinado em 24 de maio entre os governos Abdo Benítez e Jair Bolsonaro, mas só foi tornado público no final de julho por exigência do Senado paraguaio.

Na renegociação, o Paraguai renunciou a uma série de benefícios, aumentando em 200 milhões de dólares os custos para a Ande, estatal paraguaia de energia, e, com a remoção de um artigo específico (6), que privilegiaria empresas brasileiras que quisessem comprar o excedente, como o grupo Léros, segundo jornais paraguaios.


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