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06 de junho de 2019, 22h23

Centro-esquerda com discurso anti imigração vence eleição na Dinamarca

Mette Frederiksen se tornou, na quarta-feira, a pessoa mais jovem a liderar o país, com uma plataforma progressista na economia, mas que aceita o discurso da ultra-direita com respeito à imigração

A nova primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen (Foto: The National)

A vitória do Partido Social Democrata nas eleições da Dinamarca, nesta quarta-feira (5), criou o cenário para que Mette Frederiksen se transforme na pessoa mais jovem a assumiu o cargo mais importante do país. Com 41 anos, a historiadora e ativista pela educação, que já ocupou os ministérios do Emprego e da Justiça em anteriores administrações, agora assumirá o cargo de primeira-ministra, ao superar o atual ocupante do cargo, o liberal Lars Løkke Rasmussen, por uma pequena vantagem (pouco mais de 90 mil votos).

Líder da oposição dinamarquesa desde 2015, Frederiksen realizou uma campanha baseada em um discurso no sentido de reforçar os direitos sociais comprometidos durante o governo neoliberal do seu antecessor, mas que causa certa curiosidade na Europa, por uma plataforma que, no que diz respeito ao tema de imigração, se parece muito com as ideias da ultradireita.

“Para mim, é cada vez mais claro que o preço da globalização não regulada, que leva a uma imigração massiva e a livre circulação da mão de obra, está sendo pago pelas classes mais baixas”, escreveu a futura governante, em um livro lançado recentemente.

Contudo, o discurso de Frederiksen não surpreendeu em seu país. Em 2018, quando o atual governo de direita liberal de Rasmussen lançou um pacote de políticas restritivas à imigração, considerado o mais duro da história do país, o bloco social-democrata liderado por ela votou a favor de grande parte das medidas.

No programa apresentado durante a campanha, os social-democratas de Frederiksen defenderam a fixação de uma quantidade máxima de “imigrantes não ocidentais”, a expulsão dos que solicitam asilo nos centro de acolhimento no Norte da África, e a obrigação de trabalhar 37 horas por semana a todos os imigrantes que recebem benefícios sociais.

Tal plataforma causa grande preocupação em seus tradicionais aliados mais à esquerda, especialmente porque algumas ideias da nova primeira-ministra atacam diretamente algumas liberdades individuais e o Estado laico: há um projeto para facilitar o confisco de jóias e objetos de valor dos refugiados, outro para proibir a burca e o nicabe entre as mulheres, outro para tornar obrigatório o aperto de mãos para sacramentar as cerimônias de obtenção da cidadania e um para levar os solicitantes de asilo com antecedentes criminais à mesma ilha onde se investiga doenças contagiosas em animais.

Em coletiva reproduzida pelo jornal espanhol El Diario, Frederiksen justificou sua postura dizendo que ouviu sua militância e entendeu que “a política consiste em fazer aquilo que é preciso, mesmo que seja desagradável”.

“Passamos anos subestimando as consequências da imigração massiva”, criticou a líder socialdemocrata, em uma conferência de partidos progressistas de toda a Europa, e completou dizendo que “acompanhamos uma Europa, de políticas econômicas e política exterior liberais demais, e por isso fracassamos em manter o contrato social, que é a base do modelo socialdemocrata”.

Contudo, a futura primeira-ministra também reclamou da cobertura feita pela imprensa do processo eleitoral deste ano. “Levaram o debate a ficar concentrado nas polêmicas sobre a burca, e quase não pudermos falar da desigualdade que cresce, dos problemas do meio ambiente e dos abusos do setor financeiro”.

A vitória da social-democracia na Dinamarca consolida uma tendência instalada nos países nórdicos: a centro-esquerda chegou ao o poder na Suécia e na Finlândia em 2018, e na Islândia em 2017. Atualmente, o único país da Escandinávia liderado pela direita é a Noruega, onde o Partido Conservador domina desde 2013.

Com informações do El Diario e do El País.


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