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12 de novembro de 2019, 06h57

CEO da Uber defende príncipe saudita que teria mandado matar jornalista e diz que “erro” é perdoável

Empresário ainda compara a Uber com as polêmicas do governo saudita. “Nós também falhamos, certo?”, diz

Reprodução

O empresário americano-iraniano Dara Khosrowshahi, diretor executivo da Uber, disse em entrevista a um programa da HBO que o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, do Washington Post, foi um erro “perdoável”. A CIA acredita que a morte de Khashoggi dentro da embaixada da Turquia, em 2018, foi ordenada por autoridades sauditas, dentre elas o príncipe Mohammad bin Salman. O executivo ainda comparou tal “erro” com os que são cometidos pela Uber no dia a dia de trabalho.

“Nós também falhamos, certo?”, disse Khosrowshahi. “Com os carros autônomos, nós paramos esses veículos e estamos nos recuperando do erro. Acho que as pessoas cometem erros. Não significa que elas nunca podem ser perdoadas. Acho que eles levaram isso a sério”, continuou. A Arábia Saudita é o quinto maior investidor da Uber.

Ao sair em defesa da família real saudita, Khosrowshahi invocou os próprios erros da empresa. O exemplo citado por ele inclui um incidente ocorrido em 2018, quando um carro autônomo atingiu e matou um pedestre. O NTSB, organização dos EUA responsável por investigar acidentes, liberou recentemente um relatório dizendo que o sistema da Uber “não considerava que pedestres atravessavam fora da faixa”.

Assim como o empresário, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) também é fã do governo ditatorial saudita. O presidente esteve na Arábia Saudita no final do mês de outubro e disse em entrevista que se sente “quase irmão” do príncipe Mohammed bin Salman.

Depois da entrevista ao HBO, Khosrowshahi soltou uma nota desaprovando o que ele disse anteriormente. “Disse algo naquele momento que não é o que acredito”, afirmou o executivo. “Sobre Jamal Khashoggi, o assassinato dele foi repreensível e nunca deve ser esquecido ou alvo de desculpas [que justifiquem o ato]”.


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