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29 de outubro de 2019, 20h08

Chile: Ministro admite violação de direitos humanos no país

"Se produziram situações que aparentemente parecem ser violações de direitos humanos", disse o ministro da Justiça, Hernán Larraín, sobre a repressão do Estado contra manifestantes

O Chile vive um dos momentos mais críticos de sua história pós-ditadura militar - Foto: Reprodução/Twitter

O ministro da Justiça do Chile, Hernán Larraín, admitiu nesta terça-feira (29), em conversa com observadores de direitos humanos, que o país pode estar violando os direitos de manifestantes diante da brutal repressão exercida pelas Forças Armadas, desde o início das jornadas de protestos contra o presidente Sebatián Piñera e o neoliberalismo.

“O governo vai enviar lineamento a todos os serviços públicos a às regiões para saber como devemos atuar com prontidão frente a atos de muita complexidade e muita dor. Estamos muito complicados, porque se produziram situações que aparentemente parecem ser violações de direitos humanos. Isso não é uma definição nossa. Se há ou não há, são os tribunais que vão dizer. Mas nós temos que fazer o possível para cautelar”, declarou Larraín, em reunião com o Instituto Nacional de Derechos Humanos (INDH).

O diretor do INDH, Sergio Micco, exigiu o cumprimento dos protocolos policiais corretos e disse que, nos últimos dias, o instituto registrou grande número de problemas relacionados à violência policial. “Nestes dez dias, o instituto apresentou mais queixas por torturas, tratamentos cruéis, desumanos e degradantes do que durante todo o ano de 2018. Particularmente dissemos que nos preocupam as 571 pessoas feridas por armas de fogo”, declarou.

Funcionário do INDH alvejado

Um vídeo divulgado nas redes do instituto no fim desta tarde mostra um observador de direitos humanos, trajado com as roupas do INDH, sendo carregado após ser alvejado por sete tiros na capital Santiago. A deputada Karol Cariola Oliva, do Partido Comunista do Chile, comentou o caso, denunciando a repressão das forças do Estado contra defensores dos direitos humanos. “É uma vergonha, oficiais de direitos humanos serem atacados por agentes do Estado!”, criticou.

Na segunda-feira (28), a oposição apresentou uma acusação constitucional contra o presidente Piñera, responsabilizando-o pelas 20 mortes confirmadas até o momento causadas pela violência do Estado. “É um imperativo histórico impedir que sigam as mortes”, declarou a deputada Pamela Jiles, do Partido Humanista, autora da denúncia.

 

Manifestações no Chile


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