CHINA EM FOCO

China celebra integração e tecnologia nos 15º Jogos Nacionais

Evento reúne mais de 25 mil competidores em 34 modalidades e celebra a união entre tradição, modernidade e o espírito esportivo da Grande Baía

China celebra integração e tecnologia nos 15º Jogos Nacionais.Evento reúne mais de 25 mil competidores em 34 modalidades e celebra a união entre tradição, modernidade e o espírito esportivo da Grande BaíaCréditos: Xinhua
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Os 15º Jogos Nacionais da China seguem até 21 de novembro, reunindo mais de 25 mil atletas em 34 modalidades esportivas. Pela primeira vez, o maior evento multiesportivo do país é coorganizado por Guangdong, Hong Kong e Macau, em uma edição histórica que simboliza a integração da Grande Baía sob o lema “Raízes Comuns, Coração Comum, Sonho Compartilhado”.

A cerimônia de abertura, realizada no domingo (9) no Centro Esportivo Olímpico de Guangdong, transformou o estádio em um espetáculo de luz, som e tecnologia. A apresentação uniu tradições milenares e inovação digital, destacando a força cultural e esportiva da China.

O presidente Xi Jinping declarou aberta a competição, marcando sua quarta participação consecutiva em cerimônias de abertura dos Jogos Nacionais. Ele tem feito do esporte uma prioridade nacional, defendendo-o como pilar da saúde pública e do desenvolvimento social.

Xinhua

“Quando o esporte prospera, a China se torna mais forte; quando a nação floresce, o esporte também prospera”, afirmou.

Xi Jinping e o fortalecimento do esporte

Xi, que gosta de nadar, caminhar, jogar futebol, vôlei, basquete e tênis, vê o esporte como forma de formar o caráter e fortalecer a vontade.

Durante visita à sua antiga escola, a Beijing Bayi School, em 2016, ele comentou: “Joguei aqui há mais de 50 anos. Os exercícios da infância foram a base da minha boa saúde hoje.”

Para Xi, a modernização chinesa está ligada à saúde do povo, e a ampla participação esportiva é essencial para o desenvolvimento de uma nação saudável e próspera.

Em agosto de 2024, logo após as Olimpíadas de Paris, ele recebeu atletas chineses no Grande Salão do Povo, em Pequim, para celebrar conquistas e reafirmar o espírito esportivo.

Cumprimentou pessoalmente campeões como as mergulhadoras Quan Hongchan e Chen Yuxi, conhecidas como “as atletas sem respingo”, e o nadador Pan Zhanle, recordista mundial dos 100 metros livre.

Desde o primeiro ouro olímpico da China, conquistado por Xu Haifeng em 1984, o país já acumula mais de 300 medalhas de ouro nos Jogos de Verão e vem crescendo também nos esportes de inverno.

Xi acompanha de perto esse progresso e incentiva jovens atletas como Su Yiming, primeiro campeão olímpico chinês no snowboard.

Sob sua liderança, a China alcançou feitos marcantes:

  • Ouro do time feminino de vôlei no Rio 2016;
     
  • Recorde asiático do velocista Su Bingtian em Tóquio 2020;
     
  • Primeira campeã olímpica de tênis de simples, Zheng Qinwen, em Paris 2024;
     
  • Mais de 500 títulos mundiais desde 2021.

Esporte como bem-estar coletivo

Xi também defende o esporte como instrumento de felicidade e qualidade de vida. Em 1984, quando era dirigente em Zhengding (Hebei), organizou competições locais e declarou: “As carteiras do povo devem estar mais cheias, suas mentes mais ricas e seus corpos mais saudáveis.”

Como líder nacional, ele incentiva atividades físicas comunitárias e a ampliação dos espaços públicos. Nos 13º Jogos Nacionais (2017), introduziu provas abertas à população, reforçando que o objetivo dos jogos é promover saúde para todos.

Xi também dá atenção especial à educação física infantil, com políticas que previnem obesidade e miopia.

Até o fim de 2024, a China contava com 4,23 bilhões de m² de áreas esportivas, e 38,5% da população praticava exercícios regularmente. A expectativa de vida média chegou a 79 anos.

“O indicador mais importante da modernização é a saúde do povo”, afirmou Xi.

Esporte e diplomacia

Para Xi, o esporte é também uma ponte entre os povos. Durante as Olimpíadas de Inverno de Sochi (2014), ele afirmou aos atletas: “Vocês vêm não apenas como competidores, mas como mensageiros da boa vontade do povo chinês.”

Ele usa o esporte como instrumento de diplomacia e amizade internacional, trocando camisas, tochas e participando de jogos e treinos em vários países.

Em Papua-Nova Guiné, assistiu a um treino de tênis de mesa que inspirou o atleta local Geoffrey Loi, medalhista de prata nos Jogos do Pacífico de 2019.

Antes da abertura dos 15º Jogos Nacionais, Xi se reuniu em Guangzhou com Kirsty Coventry, presidente do Comitê Olímpico Internacional, e Thomas Bach, presidente honorário vitalício.

Xi destacou que o espírito olímpico promove unidade e paz — princípios que se alinham à ideia chinesa de uma comunidade global com futuro compartilhado.

O espetáculo da ascensão

A cerimônia dirigida por Wang Ruixiang, veterano das Olimpíadas de Pequim (2008), foi um show de luz, som e tecnologia. Wang desenvolveu um sistema de som surround avançado, projetado para envolver o público da Grande Baía. “Queríamos que o público se sentisse dentro da cena”, explicou.

Os Jogos reafirmam o papel do esporte como símbolo de unidade e orgulho nacional, expressando a busca da China por força, harmonia e superação.

O peixe-dragão: tradição e modernidade

Um dos momentos mais marcantes da cerimônia foi o surgimento de um peixe-dragão luminoso, inspirado na lenda da carpa que salta o Portão do Dragão — símbolo de superação e ascensão.

Na cultura chinesa, o peixe representa prosperidade, e o dragão simboliza força e sabedoria. A imagem simboliza a ascensão da China moderna, que une tradição, tecnologia e espírito coletivo.

Integração e tecnologia

A edição é um marco nos 66 anos dos Jogos Nacionais, sendo a primeira com três regiões coorganizadoras. Entre os destaques, a corrida de ciclismo masculino atravessou a Ponte Hong Kong–Zhuhai–Macau, com drones e reconhecimento facial garantindo segurança e controle.

A programação também inclui uma maratona entre Shenzhen e Hong Kong, reforçando a integração da Grande Baía.

A simbologia milenar na era digital

O peixe-dragão une dois dos símbolos mais importantes da cultura chinesa: o peixe (abundância) e o dragão (poder).
Segundo a lenda “Peixe que vira dragão”, as carpas que nadam contra a corrente e saltam o portão mítico se transformam em dragões — metáfora de superação e progresso.

Nos tempos atuais, a imagem expressa o equilíbrio entre tradição, tecnologia e natureza, valores que inspiram a nova geração de atletas e cidadãos chineses.

Por dentro dos números

Considerados mais exigentes que as Olimpíadas, os Jogos Nacionais reúnem 22 mil competidores de 73 organizações, além de 70 mil voluntários. A abertura foi acompanhada por milhares de pessoas nos estádios e milhões pela TV. Hong Kong enviou sua maior delegação da história, com 600 atletas e 270 profissionais de apoio.

Estrelas e destaques

Entre os nomes mais conhecidos estão:

  • O esgrimista Cheung Ka-long, bicampeão olímpico;
     
  • A nadadora Siobhan Haughey, atleta mais premiada de Hong Kong;
     
  • O nadador Pan Zhanle e as mergulhadoras Quan Hongchan e Chen Yuxi;
     
  • O ídolo do tênis de mesa Ma Long, ao lado de Fan Zhendong, Wang Chuqin, Sun Yingsha e Chen Meng;
     
  • O atirador Sheng Lihao, campeão em Paris;
     
  • A velocista Wu Yanni, recordista dos 100 metros com barreiras;
     
  • E o carateca Kuok Kin-hang, de Macau, medalhista de prata nos Jogos Asiáticos.

O que não dá para perder

Entre as 34 modalidades e mais de 400 provas, natação e atletismo continuam sendo as mais populares.

Um dos momentos mais aguardados é o retorno do dueto de badminton Zheng Siwei e Huang Yaqiong, campeões olímpicos em Paris.

No Galaxy Arena de Macau, o lendário Ma Long deve se despedir das competições, jogando pela equipe de Pequim ao lado de Wang Chuqin e Huang Youzheng.

O retorno de Fan Zhendong, campeão em Paris e ex-jogador da liga alemã, também é um dos grandes atrativos desta edição.

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