O Brasil ampliou e fortaleceu sua presença na 8ª Exposição Internacional de Importação da China (CIIE), realizada em Xangai entre 5 e 10 de novembro, consolidando-se como um dos principais parceiros comerciais da China na América Latina e como uma das vozes mais ativas do Sul Global no comércio internacional.
Sob coordenação da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), a delegação brasileira reuniu 37 empresas do setor de alimentos e bebidas, em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), a Embaixada do Brasil em Pequim e o Consulado-Geral em Xangai.
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O país levou produtos com alto valor agregado e foco em sustentabilidade, inovação e identidade cultural, com expectativa de gerar mais de US$ 280 milhões em negócios.
A Embaixada da China no Brasil destacou a presença brasileira na CIIE. "O Pavilhão do Brasil encantou o público com churrasco, açaí, café e até o simpático capivara. Milhares de visitantes mergulharam na cultura e no sabor do Brasil."
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Pavilhões e identidade nacional
O Brasil contou com dois pavilhões oficiais: o Pavilhão de Empresas, voltado às exportações, e o Pavilhão Nacional, dedicado à promoção da imagem do país.
O primeiro destacou produtos emblemáticos da agroindústria brasileira — como carne bovina, café, açaí e panificação — e contou com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), que levou outras 20 companhias.
Já o segundo promoveu experiências sensoriais e culturais, com degustações e parcerias com marcas chinesas como Mixue e Luckin Coffee, fortalecendo a marca “Brazilian Flavors” entre consumidores chineses.
Confira a lista completa no Catálogo das empresas brasileiras na CIIE 2025.
Café brasileiro conquista o paladar chinês
Um dos sucessos brasileiros na feira foi o café Unique, da Serra da Mantiqueira (MG), que encantou o público com degustações do grão de sabor “ácido, floral e frutado”, conforme destacou o jornal Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista da China (PCCh).
A Unique, presente na CIIE desde 2018, adaptou seu produto ao gosto chinês, que prefere torras mais leves e sabores complexos. A empresa lançou novas variedades, como o Yellow Bourbon, e investiu em embalagens menores e no formato drip bag (café de filtro individual), popular na China.
Com apoio da distribuidora Kopeng Coffee, a marca expandiu sua presença em cafeterias de Xangai, Guangzhou e Chengdu. O resultado foi imediato: no primeiro semestre de 2025, a China importou 540 mil sacas de café do Brasil, um aumento de 20% em relação ao ano anterior — o maior volume da história.
Mais do que um sucesso comercial, o caso da Unique reflete a cooperação crescente entre Brasil e China em torno da inovação, sustentabilidade e tecnologia. A empresa já planeja importar drones agrícolas chineses para monitorar lavouras no Brasil, aprimorando qualidade e eficiência.
A imprensa chinesa também destacou a presença brasileira na feira.
CIIE: vitrine global de inovação
Organizada pelo Ministério do Comércio da China (MOFCOM), a CIIE é a maior feira de importação do mundo. Desde 2018, já reuniu mais de 3.400 empresas de 128 países e cerca de 800 mil visitantes.
A edição de 2025 bateu recordes, com US$ 83,49 bilhões em acordos de intenção de compra, alta de 4,4% em relação a 2024.
Durante seis dias, foram lançados 461 novos produtos, tecnologias e serviços, incluindo 201 estreias globais.
A feira contou com 4.108 empresas de 138 países em uma área de 367 mil metros quadrados, consolidando-se como o principal palco global de negócios e inovação sustentável.
“A CIIE demonstra a vitalidade da economia chinesa, que está injetando certeza e energia positiva no mundo”, disse Wu Zhengping, vice-diretor-geral do Bureau da CIIE à Xinhua.
Inclusão e futuro verde
A edição de 2025 reforçou o compromisso da China com o comércio inclusivo e o desenvolvimento do Sul Global. Pela primeira vez, o evento criou uma área exclusiva para produtos de países menos desenvolvidos (PMDs) e ampliou os espaços de expositores africanos e asiáticos.
Mais de 160 empresas de 37 PMDs participaram, e o número de companhias africanas aumentou 80% em relação a 2024. Desde a primeira edição, a CIIE já movimentou US$ 9,3 bilhões em negócios entre países em desenvolvimento.
“A China tornou-se o parceiro mais importante para investimento e comércio com o Sul Global”, afirmou à Xinhua Gerd Müller, diretor-geral da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (ONUDI).
Inovação e parceria estratégica
A feira também destacou o avanço da cooperação tecnológica. Empresas como Dow e Danfoss firmaram parcerias com companhias chinesas para expandir projetos em logística inteligente, energia renovável e tratamento de água.
O sucesso da CIIE reforça a força da parceria Brasil-China, que vai além da agricultura e se projeta como um modelo de cooperação sustentável e tecnológica. Com isso, o Brasil consolida sua posição como protagonista na nova economia verde global.