TECNOLOGIA

Apagão da internet: por que as plataformas sofreram no mundo todo, menos na China?

Aplicativos chineses como DeepSeek, Aliexpress e WeChat não foram afetados por apagão da Cloudflare

Créditos: Reprodução internet
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Nesta terça-feira (18), a internet ocidental está sofrendo um apagão generalizado. A queda do Cloudflare, serviço que hospeda diversas plataformas como o X, o ChatGPT e aplicativos de diversos bancos no Brasil e no mundo, fez com que centenas de serviços digitais fossem suspensos.

No entanto, entre as listas de aplicativos em queda, não constam o DeepSeek, o WeChat e o AliExpress. Em compensação, ChatGPT, Twitter, Uber e Reddit sofreram com o apagão. O motivo pode estar na soberania digital.

“O apagão de hoje escancara a fragilidade de uma internet centralizada em poucos serviços das big techs ocidentais. Enquanto meio mundo ficou offline porque depende da mesma infraestrutura, a China não sentiu o baque. Isso aconteceu porque eles tratam a internet como questão de soberania nacional e decidiram, há anos, que não poderiam depender da tecnologia dos EUA”, afirma o analista de redes da Fórum, Edgard Piccino.

Os sites chineses utilizam aplicativos ocidentais para operar em solo estrangeiro, mas possuem uma infraestrutura própria que garante menos dependência dos servidores de EUA e Europa.

Soberania chinesa

A Cloudflare possui uma atuação muito limitada na China. Usualmente, os sites chineses utilizam serviços diferentes, como Tencent, Baidu, Alibaba e Wangsu Science.

A utilização de servidores e infraestruturas próprias pela China é uma escolha estratégica profundamente enraizada em seu modelo de governança.

A dependência de servidores e serviços estrangeiros, como AWS, Google Cloud ou Cloudflare, é minimizada por uma combinação de fatores.

Existe um amplo escopo legal na China que determina que os “operadores de infraestrutura crítica de informação” armazenem dados pessoais e importantes dentro do próprio país, e a rígida legislação de proteção de dados pessoais também impede que essas informações caiam nas mãos de empresas estrangeiras, como a Cloudflare.

Do ponto de vista do governo chinês, depender de infraestrutura estrangeira representa um risco à segurança nacional.

Segurança digital

A crescente soberania digital da China tem raízes nas ameaças terroristas em Xinjiang, uma região marcada por tensões étnicas e religiosas.

O governo chinês, ao enfrentar desafios com grupos separatistas e extremistas, intensificou a vigilância digital e adotou políticas rigorosas para garantir segurança cibernética, proteção de dados e controle sobre as informações.

Esse processo se consolidou com a implementação do Grande Firewall, além da promulgação de legislações como a Lei de Segurança Cibernética (2017) e a Lei de Proteção de Informações Pessoais (PIPL), que marcaram um passo decisivo na construção da soberania digital da China.

Enquanto isso, no Brasil, diversos serviços — inclusive bancários, de extrema sensibilidade — foram afetados por conta da dependência de um serviço estrangeiro.

“Os chineses construíram um ecossistema próprio, com servidores e redes totalmente independentes, bloqueando serviços ocidentais que não se adaptassem à regulamentação local. Por isso, enquanto estava tudo fora do ar por aqui, o WeChat, o DeepSeek, bancos e comércio eletrônico seguiram rodando ilesos na China. Que sirva de lição para o Brasil: se queremos soberania digital, precisamos mais do que regulamentação; precisamos de infraestrutura pesada e serviços nacionais independentes das big techs”, completou Piccino.

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