CHINA EM FOCO

Por que a China vai usar mais petróleo até 2030 mesmo sendo potência verde

Estratégia de desenvolvimento verde chinesa enxerga aumento dos combustíveis fósseis como passo para futuro verde

Créditos: Ramil Sabirov/pxhere
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A China se tornou uma referência global para a transição energética. OI investimento massivo dos chineses em tecnologia verde e fontes de energia renováveis acabou se tornando um exempo inspirador para os povos do Sul Global.

O país se tornou o verdadeiro líder mundial em energia solar e eólica, mas um dado do Plano Quinquenal recentemente aprovado pelo governo do país chamou a atenção: a China prevê aumentar o uso de carvão e petróleo nos próximos cinco anos.

Confira a estratégia detalhada: China apresenta plano verde para 2030 com foco em neutralidade de carbono e inovação tecnológica

Com carvão e petróleo ainda no centro do sistema energético, Pequim enfrenta o desafio de equilibrar segurança energética, crescimento econômico e redução estrutural das emissões.

Desde 2020, quando anunciou os compromissos de pico de carbono em 2030 e neutralidade em 2060, o país acelerou a transição para energias limpas. A participação das fontes não fósseis cresce de forma constante, impulsionada pela expansão recorde de energia solar e eólica. A China hoje abriga o maior e mais rápido sistema de energias renováveis do mundo, um movimento que já começa a refletir na estabilização — e até redução — das emissões de CO2.

O papel da China na transição energética

A China consolidou uma trajetória acelerada no desenvolvimento de energias renováveis. Somente entre 2020 e 2024, o país instalou cerca de 900 GW de capacidade renovável.

Em 2025, a expansão se intensificou: no primeiro semestre, a China instalou mais que o dobro da capacidade eólica e solar registrada no mesmo período de 2024.

Até outubro de 2025, a capacidade total instalada do país chegou a 3,75 bilhões de kW, dos quais 1,14 bilhão de kW eram de energia solar — um crescimento anual de 43,8% — e 590 milhões de kW de energia eólica, com alta de 21,4%.

 

A dependência do petróleo

Apesar do crescimento acelerado das renováveis, a dependência de combustíveis fósseis segue relevante. Até 2030, a China projeta que carvão, petróleo e gás ainda representarão menos de 75% do consumo total de energia — o que indica uma redução gradual, porém ainda significativa participação dos fósseis.

O consumo de carvão deve atingir seu pico por volta de 2027, impulsionado principalmente por setores como aço e materiais de construção, cuja demanda começa a declinar.

Já o consumo total de petróleo tende a atingir seu pico aproximadamente em 2026, à medida que o uso de combustíveis refinados para transporte diminui e os derivados passam a ser mais direcionados ao setor petroquímico, cujo crescimento é mais moderado.

Apesar da continuidade na expansão de capacidade térmica, a utilização das usinas a carvão está em queda estrutural, já que grande parte do novo crescimento da demanda elétrica é atendida por fontes renováveis.

Em 2025, a China registrou uma leve redução de 1% nas emissões de CO2 no primeiro semestre, e as emissões ficaram estáveis ou em queda por 18 meses, influenciadas pelo aumento da disponibilidade de energia limpa.

Uma rota para o futuro verde

Para garantir que fontes renováveis substituam combustíveis fósseis de forma segura e estável, a China está acelerando a construção de um novo sistema energético, marcado por integração, armazenamento, grandes bases renováveis e modernização da rede elétrica.

O país planeja desenvolver grandes complexos de energia solar e eólica no noroeste, ampliação de hidrelétricas no sudoeste, expansão de parques eólicos offshore e novos projetos nucleares nas zonas costeiras.

O investimento em armazenamento energético tem sido um dos pilares dessa estratégia. Entre o primeiro semestre de 2024 e o primeiro semestre de 2025, os aportes em baterias aumentaram 69%, impulsionando soluções que minimizam o desperdício de energia renovável e garantem estabilidade na operação do sistema elétrico.

Em paralelo, a China amplia a infraestrutura de redes inteligentes e sistemas de despacho capazes de integrar grandes volumes de energia intermitente.

As metas de longo prazo também avançam. O país projeta atingir 3,6 terawatts (TW) de capacidade combinada de solar e eólica até 2035 — volume que, mantido o ritmo atual, pode ser alcançado antes.

Em 2025, a participação de renováveis na geração elétrica chegou a cerca de 35%, fortalecendo a trajetória para o pico de emissões antes de 2030 e alinhando-se às metas nacionais de reduzir a intensidade de carbono do PIB em mais de 65% em comparação com 2005.

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