A China entrou em uma nova fase de sua estratégia econômica: o desenvolvimento de alta qualidade. Mais do que ampliar o PIB, o objetivo é transformar a base produtiva, modernizar a infraestrutura e garantir que os avanços tecnológicos atendam ao bem-estar da população — aquilo que Xi Jinping descreve como “o desejo crescente do povo por uma vida melhor”.
Apesar do crescimento chinês ainda ser um dos maiores do mundo, o país — que já é o primeiro no mundo em PIB-PPC —, desenvolveu uma nova estratégia para expandir sua economia. Agora, não se trata mais de uma questão de quanto crescer, mas de como crescer.
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Desenvolvimento de alta qualidade: o que é
Com o desenvolvimento de alta qualidade, inovação, sustentabilidade e eficiência ocupam o centro da estratégia. Tecnologias como inteligência artificial, big data e sistemas digitais passam a ser os fatores-chave de produção, substituindo gradualmente formas consideradas “obsoletas” ou poluentes.
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Ainda em 2017, Xi Jinping que o país havia deixado para trás um período de crescimento rápido e entrado definitivamente na era do desenvolvimento de alta qualidade. Na visão do presidente chinês, este é o único caminho diante de desafios como custos de trabalho mais altos, limitações ambientais e gargalos estruturais.
O foco passa a ser a modernização com base em setores verdes, energias renováveis e cadeias produtivas de alto valor agregado.
O governo sustenta que essa mudança também responde ao principal “contraste” da sociedade chinesa: a distância entre as necessidades crescentes da população e um desenvolvimento antes considerado “desequilibrado e insuficiente”.
A aposta, portanto, é crescer menos em quantidade e mais em qualidade — com inclusão, segurança econômica e sustentabilidade ambiental.
Impacto internacional
Além de reorganizar a economia interna, a China tenta projetar esse modelo para além de suas fronteiras. A filosofia do “futuro compartilhado para a humanidade”, os avanços da Iniciativa Cinturão e Rota e iniciativas globais nas áreas de desenvolvimento, segurança e civilização são apresentados como contribuições chinesas para a governança mundial. A promessa é de um desenvolvimento que favoreça tanto o país quanto seus parceiros.
Para Luis Fernandez, pesquisador do Centro de Pesquisa Econômica Mundial da Universidade de Havana, a mudança chinesa tem peso global.
“A China desenhou um modelo de desenvolvimento econômico de alta qualidade adequado ao seu estágio atual, com foco na economia verde e em alta tecnologia”, afirmou. “Isso injetará vitalidade na economia mundial", afirmou o economista ao Global Times.