Um levantamento realizado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) em parceria com a desenvolvedora Hugging Face mostra que a China ultrapassou os Estados Unidos na participação global de downloads de modelos de inteligência artificial (IA) de código aberto. Segundo o estudo, modelos desenvolvidos por empresas chinesas representaram 17,1% das descargas no último ano, enquanto os norte-americanos ficaram com 15,8%.
O crescimento é impulsionado sobretudo pelos modelos da DeepSeek e da Qwen, da Alibaba. Esses sistemas, que podem ser baixados, modificados e integrados a diferentes aplicações, têm desempenhado papel relevante no avanço de produtos tecnológicos e de pesquisas em diversos países.
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O relatório destaca que a disseminação dos modelos de código aberto tem acelerado a inovação global ao permitir que startups e pesquisadores adaptem ferramentas de forma rápida. Esse movimento tem ampliado a presença de modelos chineses no setor internacional de IA.
Durante a OpenAtom Developers Conference, realizada em Pequim em 21 de novembro, o acadêmico da Academia Chinesa de Engenharia, Ni Guangnan, afirmou: “o código aberto tornou-se um poderoso motor para o desenvolvimento global de TI e, na era da IA impulsionada por grandes modelos, seu impulso é notável”. Ele acrescentou que “a China é hoje a maior fornecedora mundial de grandes modelos de código aberto. Modelos como Qwen, DeepSeek e Kimi estão entre os primeiros colocados na plataforma de avaliação LMArena”.
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Ni também mencionou que, conforme um relatório norte-americano citado em sua apresentação, 80% das startups de IA dos Estados Unidos utilizam modelos de código aberto desenvolvidos na China. Segundo ele, esse cenário reflete a expansão internacional das comunidades chinesas dedicadas ao desenvolvimento aberto.
As diretrizes do governo chinês também tratam do tema. O 15º Plano Quinquenal, que abrangerá o período de 2026 a 2030, prevê maior abertura econômica e cooperação tecnológica, alinhando a expansão do código aberto às metas nacionais de desenvolvimento.
O estudo do MIT e da Hugging Face aponta que o avanço da China nesse segmento ocorre simultaneamente ao fortalecimento de ecossistemas digitais que conectam programadores, empresas e centros de pesquisa em vários países, que têm utilizado modelos abertos para compartilhar conhecimento técnico e desenvolver novos projetos em inteligência artificial.