A China divulgou nesta sexta-feira (7), em Pequim, um estudo que detalha as bases de seu futuro plano nacional de desenvolvimento para o período de 2026 a 2030. Entre os temas abordados estão as metas ambientais que devem integrar a política climática do país e que já serviram de bússola para sua atuação durante a COP30, em Belém (PA).
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O relatório, elaborado por um centro nacional de estudos estratégicos (think tank), foi apresentado durante um seminário sobre a quarta sessão plenária do 20º Comitê Central do Partido Comunista da China (PCCh).
O documento analisa as conquistas do atual ciclo (2021–2025) e antecipa as diretrizes econômicas e sociais do 15º Plano Quinquenal, que deve definir as prioridades da China em áreas como inovação tecnológica, transição energética e modernização socialista.
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O texto reafirma os compromissos de atingir o pico de emissões antes de 2030 e alcançar a neutralidade de carbono até 2060, consolidando a liderança chinesa na transição verde e tecnológica.
Um plano para uma “China Bela”
Intitulado “O estágio crítico para a realização básica da modernização chinesa — Plano estratégico para o desenvolvimento econômico e social da China no período do 15º Plano Quinquenal”, o estudo foi produzido pelo Instituto Central de História e Literatura do PCCh em parceria com a Agência Xinhua.
Ele define as bases do desenvolvimento chinês até 2030, considerado um passo decisivo rumo à “modernização socialista básica” a ser consolidada até 2035 — marco simbólico do rejuvenescimento nacional projetado por Xi Jinping.
O plano ressalta que o avanço ecológico e tecnológico é inseparável do progresso social e da estabilidade nacional. A estratégia de construir uma “China Bela” — conceito que une prosperidade econômica e sustentabilidade — será o eixo do novo ciclo de políticas públicas.
Avanços do 14º Plano e o novo horizonte
O relatório aponta que o 14º Plano Quinquenal (2021–2025) foi “verdadeiramente notável”. Nesse período, a China atingiu um PIB de cerca de US$ 19 trilhões, com crescimento médio de 5,5% ao ano, consolidando-se como o maior investidor global em energia limpa e responsável por aproximadamente 30% do crescimento econômico mundial.
Segundo o texto, a força econômica, a capacidade tecnológica e a influência cultural da China atingiram “novos patamares”, marcando um “passo firme e decisivo na jornada rumo a um país socialista moderno em todos os aspectos”.
Metas principais do 15º Plano (2026–2030)
O novo plano estabelece sete objetivos estratégicos que orientarão o desenvolvimento nacional:
- Desenvolvimento de alta qualidade, com modernização industrial e estímulo ao consumo interno.
- Autossuficiência tecnológica, posicionando a China como líder global em inovação científica.
- Reformas estruturais profundas, para consolidar o mercado interno e fortalecer a economia real.
- Progresso ético e cultural, estimulando criatividade e identidade socialista.
- Bem-estar social e prosperidade comum, com ampliação de serviços públicos e redistribuição de renda.
- Transição ecológica e neutralidade de carbono, reforçando a iniciativa “China Bela”.
- Segurança nacional abrangente, incluindo defesa, governança cibernética e estabilidade social.
Essas metas, segundo o relatório, devem garantir um crescimento sustentável e equilibrado, combinando inovação, inclusão e responsabilidade ambiental.
Alta tecnologia e as “novas forças produtivas”
O estudo introduz o conceito de “novas forças produtivas de qualidade”, baseado em inovação científica, digitalização e inteligência artificial. As prioridades incluem investimentos em biomanufatura, energia de hidrogênio, fusão nuclear, interfaces cérebro-computador e comunicações 6G.
O plano prevê ainda a expansão do programa “China Digital” e o lançamento da iniciativa “AI Plus”, que integrará inteligência artificial a todos os setores produtivos — das indústrias estratégicas à administração pública.
Governança e estabilidade política
O texto enfatiza que o sucesso do plano depende da liderança central do Partido Comunista, responsável por garantir continuidade e estabilidade política. Defende a “reforma contínua do Partido”, o combate à corrupção e o fortalecimento da chamada “democracia de todo o processo”, modelo em que cidadãos participam por meio de consultas e plataformas digitais.
Mais de 3 milhões de sugestões públicas foram coletadas online durante a formulação do plano, evidenciando a integração entre governança centralizada e participação popular.
China como motor da economia global
Na dimensão internacional, o relatório posiciona o país como “âncora do crescimento mundial”, prevendo que a China continuará responsável por cerca de 30% da expansão da economia global.
Citando o Fundo Monetário Internacional (FMI), o documento afirma que “cada 1% de crescimento da economia chinesa adiciona 0,3% à produção das demais economias.”
A política externa seguirá articulada às iniciativas Cinturão e Rota (BRI) e de Desenvolvimento Global (GDI), reforçando o papel de Pequim como defensora de uma globalização aberta, inclusiva e equilibrada.
Um futuro verde e multipolar
O relatório conclui descrevendo o 15º Plano Quinquenal como a etapa decisiva da transição da China para uma potência moderna, verde e tecnológica, capaz de garantir segurança, prosperidade e estabilidade de longo prazo.
“A modernização chinesa não busca hegemonia, mas um futuro compartilhado para a humanidade”, afirma o texto — síntese da narrativa de liderança global responsável que Pequim pretende consolidar até 2035.