A start-up chinesa Zhonghao Xinying, também chamada de CL Tech, ampliou sua presença no setor de semicondutores com o anúncio de uma nova unidade de processamento tensorial (TPU), apresentada como alternativa doméstica aos chips da Nvidia.
A companhia, sediada em Hangzhou, informou que seu processador de uso geral, o GPTPU, entrou em produção em massa em 2023.
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O chip de referência da empresa, o Chana, segundo dados divulgados, oferece até 1,5 vez o desempenho de cálculo do Nvidia A100 e reduz em cerca de 30% o consumo de energia em cargas de trabalho de modelos de grande escala.
A empresa afirma ainda que o custo de computação por unidade equivale a 42% do valor associado ao produto da fabricante norte-americana.
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A proposta da companhia surge em meio à busca de desenvolvedores chineses por alternativas aos processadores da Nvidia, após restrições impostas pelos Estados Unidos ao fornecimento de chips avançados.
“Ficou claro que uma guerra tecnológica entre Estados Unidos e China era inevitável”, afirmou Yanggong em entrevista publicada pela Sincere Capital. Segundo ele, a infraestrutura de computação se tornaria “o campo de batalha central”. A empresa informou que seu TPU possui “núcleos de propriedade intelectual totalmente autônomos, um conjunto de instruções próprio e uma plataforma de computação integralmente interna”.
Guerra dos chips
A disputa tecnológica entre Estados Unidos e China, conhecida como “Guerra dos Chips”, ganhou dimensão global a partir de 2019, quando Washington colocou empresas chinesas, entre elas a Huawei, na Entity List. A medida, adotada durante o governo Donald Trump, restringiu o acesso dessas companhias a semicondutores avançados e outras tecnologias consideradas sensíveis.
O movimento tinha como objetivo conter o avanço chinês em áreas estratégicas como redes 5G, inteligência artificial e supercomputação. As restrições foram ampliadas em 2022, já na administração Joe Biden. Em 7 de outubro daquele ano, o governo norte-americano anunciou novos controles de exportação que passaram a impedir a venda à China de chips de alto desempenho, equipamentos de litografia avançada e softwares usados no design de semicondutores. Empresas estrangeiras que utilizam tecnologias ou maquinário dos EUA também passaram a depender de licenças especiais para atender clientes chineses.
A reação de Pequim se concentrou no aumento dos investimentos em autossuficiência tecnológica. O governo passou a direcionar grandes volumes de recursos para fabricantes locais como SMIC, Cambricon e Huawei, com foco no desenvolvimento de alternativas nacionais aos chips restritos pelos EUA. Em consequência, essas empresas ampliaram sua participação no mercado interno e passaram a oferecer soluções competitivas para aplicações de inteligência artificial e computação de alta performance.
Além da dimensão comercial, o embate adquiriu caráter geopolítico e de segurança nacional. Para os Estados Unidos, limitar o acesso chinês a semicondutores avançados é uma forma de evitar que essas tecnologias sejam utilizadas em capacidades militares. Para a China, reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros é visto como essencial para assegurar soberania e estabilidade no longo prazo.
A chamada Guerra dos Chips consolidou-se como um dos principais focos de tensão entre as duas maiores economias do mundo. A disputa envolve interesses econômicos, estratégicos e militares que influenciam o ritmo e o rumo do setor global de tecnologia.