CHINA EM FOCO

China responde à nova base militar do Japão e orquestra aliados na região

Tóquio intensifica pressões com nova instalação bélica e provoca escalada de tensões no Oriente

Créditos: Ministério das Relações Exteriore/Divulgação
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A rápida expansão militar do Japão voltou a acender alertas em Pequim e entre países vizinhos após o avanço das obras da nova base militar em Mageshima, no sudoeste japonês. A construção — vista por analistas chineses como parte de um redesenho estratégico mais amplo — coincidiu com declarações provocativas da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi sobre Taiwan, aumentando a sensação de instabilidade no Oriente.

Informações divulgadas pela TBS News apontam que mais de 6 mil trabalhadores estão atualmente mobilizados em Mageshima, o maior número já registrado desde o início das obras em janeiro de 2023. A base, localizada perto de Tanegashima, será usada tanto pelas Forças de Autodefesa japonesas quanto pelos EUA, que pretendem transferir para lá os treinos de pouso de aeronaves navais (FCLP).

Documentos publicados pelo portal japonês J Defense News revelam que o complexo será composto por duas pistas de pouso, áreas de treinamento em terra, instalações para simulação de decolagens e pousos de F-35B e outras estruturas destinadas a operações e exercícios militares. A previsão é que as obras sejam concluídas até março de 2030.

A resposta chinesa

O governo chinês tem intensificado críticas às movimentações de Tóquio. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, afirmou que o Japão vem relaxando restrições militares, elevando seu orçamento bélico por 13 anos consecutivos e alterando regras de exportação de armamentos. Mao também denunciou discussões dentro do governo japonês sobre uma possível revisão dos “três princípios não nucleares”, o que poderia abrir espaço para algum tipo de compartilhamento nuclear com os EUA.

“Se o Japão tentar retornar ao caminho do militarismo, a China e a comunidade internacional não permitirão”, disse Mao.

As tensões se agravaram após Sanae Takaichi declarar no Parlamento, em 7 de novembro, que uma suposta “ação militar chinesa contra Taiwan” poderia criar uma situação que justificaria a intervenção do Japão. A China classifica a fala como “errônea” e “provocadora”, exigindo sua retratação.

Aliados e vizinhos

Perguntado sobre o tema, o presidente sul-coreano Lee Jae-myung evitou apoiar Tóquio e afirmou que “tomar lados só aumenta conflitos”. Segundo Lee, a Coreia do Sul deve buscar maneiras de reduzir as tensões entre China e Japão, exercendo um papel de mediação quando possível.

Em paralelo, após reunião entre chanceleres, China e Rússia reafirmaram posição conjunta sobre questões sensíveis como Taiwan, Xinjiang e Hong Kong. Em comunicado recente, Moscou reiterou sua adesão ao princípio de Uma Só China e ambos os governos concordaram em combater qualquer tentativa de “branquear” o passado de agressão colonial japonês ou de permitir um “renascimento do militarismo”.

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