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01 de julho de 2018, 17h20

Cinco eixos para entender as eleições mexicanas

O jornalista Sergio Alejandro Gomez, analista cubano de política internacional, comenta os cinco pontos chave para entender o cenário eleitoral mexicano e as projeções para o futuro imediato; são grandes os desafios para o provável vencedor, Andrés Manuel Lopez Obrador, candidato da esquerda

Foto: Telesur

Por Sergio Alejandro Gomez, no CubaDebate / Tradução de José Reinaldo Carvalho, do Resistência 

“Tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos”, lamenta-se há dois séculos o povo mexicano, que está chamado às urnas no próximo domingo em eleições marcadas pela convulsionada relação com o vizinho do norte, a corrupção encistada no sistema político, a violência endêmica e a guerra suja contra o candidato progressista Andrés Manuel López Obrador, que parece mais perto do que nunca de chegar à presidência.

López Obrador lidera as pesquisas, à frente da coalizão “Juntos Faremos História”, liderada pelo partido Morena (com apoio do Partido do Trabalho; nota da tradução). Em segundo lugar está o candidato do direitista Partido Ação Nacional, Ricardo Anaya, da coalizão “Pelo México à Frente”, e em seguida, José Antonio Meade, representante do agrupamento “Todos pelo México”, que inclui o governante Partido Revolucionário Institucional (PRI).

De acordo com a lei eleitoral mexicana, quem obtiver a maioria dos votos ganha e se torna presidente por um período de cinco anos e dez meses, sem possibilidade de reeleição.

Cubadebate compartilha com seus leitores cinco chaves sobre as eleições na nação asteca e sua importância para a região.

1 – O retorno da esquerda

Depois de seis anos de governo de Enrique Peña Nieto, nos quais cresceu o descontentamento dos mexicanos com o sistema de governo e aumentou a brecha econômica entre ricos e pobres, o voto de protesto contra a classe política tradicional é um dos grandes protagonistas.

Poucos dias antes das eleições, o candidato da esquerda mantém uma vantagem de dois dígitos frente ao seu rival mais próximo, de acordo com uma pesquisa dos institutos GEA/ISA divulgada na última segunda-feira (25) pela agência Notimex.

López Obrador, que conta com 35 por cento de intenção de votos, parece decidido a fazer valer o ditado “a terceira vez é a definitiva”. Se alcançar a vitória, estabeleceria um programa de mudanças profundas na sociedade mexicana, com ênfase nos serviços sociais como saúde e educação, ao tempo em que revisaria as políticas de liberalização econômica dos últimos anos, em especial as do estratégico setor dos combustíveis.

Apesar de que a imensa maioria dos partidos mexicanos e os meios de comunicação se concentraram em ataques contra o candidato do Morena, o descrédito da classe política tradicional joga a seu favor.

O apelo ao medo e as denúncias de um suposto apocalipse econômico caso a esquerda ganhe, calam cada vez menos em um eleitorado decepcionado com os últimos governos e que tem muito pouco a perder.

A vitória de López Obrador no México, uma nação com longa tradição revolucionária, significaria um impulso para a causa progressista na América Latina, que registrou duros reveses nos últimos anos em países como Argentina e Brasil.

2 – O custo de fazer política

Um total de 130 políticos foram assassinados no México na etapa compreendida entre o começo do processo eleitoral, em 8 de setembro de 2017, e 25 de junho último, segundo o “Indicador de Violência Política no México 2018”, elaborado pela consultoria Etellekt.

De acordo com a mesma fonte, ocorreram 543 agressões contra políticos em todo o país.

As agressões aconteceram em 343 municípios da nação asteca, onde a violência organizada é um dos fatores que limitam a participação da cidadania e promovem a abstenção nas urnas.

Os políticos não são os únicos que se expõem ao perigo. Os assassinatos de profissionais da imprensa têm dado a volta ao mundo em forma de denúncias sobre a preocupante situação das liberdades civis no país.

Com 44 mortes registradas, os seis anos do governo de Peña Nieto foram o período mais letal para os jornalistas, de acordo com dados da organização Artigo 19.

A vida pode ser o preço de fazer política no México ou escrever e reportar sobre ela, uma condição com a qual dificilmente qualquer sistema político pode conviver.

3 – O câncer da corrupção

O Índice de Percepção da Corrupção de 2017, que é elaborado pelo organismo Transparência Internacional, situa o México no 135º lugar, entre 180 países. É o país pior avaliado entre os membros do G20 e os da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE).

A debilidade das instituições da nação, o avanço do crime organizado e a sensação de impunidade diante de rumorosos crimes, como o desaparecimento de 43 estudantes, desenham um panorama desolador para os eleitores mexicanos.

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