Com 98,3% das urnas apuradas, Pedro Castillo abre 108 mil votos sobre Keiko Fujimori

Candidato da esquerda é virtual presidente; filha do ex-ditador deve tentar habilitar atas que foram impugnadas para atrasar decisão

O professor e sindicalista Pedro Castillo está cada vez mais próximo da vitória nas eleições presidenciais do Peru. Com o avançar da apuração, o candidato do socialista Peru Livre abriu uma margem que parece já ser suficiente para garantir um triunfo sobre Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori. A candidata, no entanto, alega fraude e deve recorrer aos tribunais.

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A parcial divulgada às 21h49 pelo Órgão Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), com 98,3% das atas já processadas e 96,791% das atas computadas, coloca Pedro Castillo com 50,314% dos votos contra 49,686% de Keiko. A diferença entre o total de votos é de 108.398.

Apesar da margem apertada, esses mais de 108 mil votos colocam Castillo como presidente virtualmente eleito. A maioria dos votos que está para chegar é das urnas colocadas no exterior, já que 99.704% das atas nacionais já foram processadas pelo sistema.

Esse voto internacional é majoritariamente pró-Keiko, mas a baixa participação e a diferença numérica conseguida por Castillo no país dificultam uma reviravolta.

Até o momento, foram computados apenas 64,419% das urnas de fora do país. Dos 560.499 eleitores habilitados, só votaram 201.107, uma participação de 35.880%. Desse grupo, 66,194% apoiaram Keiko.

Tendo em vista que o colégio eleitoral internacional é de 997.033, faltam atas referentes a 436.534 eleitores. Se o comparecimento aumentar para 40%, devem votar no máximo 175 mil peruanos. Se o percentual da filha do ex-ditador subir para 70% nessas urnas, ela somaria 122,5 mil contra 52,5 mil do socialista, conquistando uma margem de 70 mil, o que é insuficiente para uma virada. Sem falar no restante dos votos nacionais, que devem ir majoritariamente para Castillo.

A carta na manga da candidata do Força Popular é a reinvindicação das 1470 atas impugnadas. Essas impugnações acontecem por diversas razões e só podem ser revertidas nos tribunais eleitorais, o que atrasa o resultado final.

Essa parece ser a única chance para a filha do ex-ditador. No entanto, projeção do Centro Estratégico Latino-americano de Geopolítica (CELAG) realizada há algumas horas aponta que Castillo deve terminar com uma vantagem de 40 mil votos mesmo que as atas impugnadas sejam contabilizadas.

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Lucas Rocha

Lucas Rocha é formado em jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ e cursa mestrado em Políticas Públicas na FLACSO Brasil. Carioca, apaixonado por carnaval e latino-americanista convicto, é repórter da sucursal do Rio de Janeiro da Revista Fórum e apresentador do programa Fórum América Latina