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23 de julho de 2018, 10h22

Com história sobre escravidão, brasileiro vence o prêmio Eisner, o “Oscar” dos quadrinhos

“Lembro que ontem fui conferir as obras que estavam concorrendo, todas de excelentes artistas, imaginei que não seria minha vez”, disse Marcelo D'Salete

HQ "Cumbe", de Marcelo d' Salete (divulgação)

O paulista Marcelo D’Salete, 38, venceu o prêmio Eisner, considerado o “Oscar” dos quadrinhos com “Cumbe”, uma história sobre a escravidão no Brasil.

“Como o prêmio saiu tarde, depois da meia-noite do Brasil, amigos começaram a me parabenizar. Foi uma surpresa muito grande. Lembro que ontem fui conferir as obras que estavam concorrendo, todas de excelentes artistas, imaginei que não seria minha vez”, diz ao UOL o artista, que é professor, ilustrador e desde 2008 autor de histórias em quadrinhos.

Lançada nos últimos quatro anos nos EUA, em Portugal, na França, na Itália e na Áustria, “Cumbe” é composta por quatro contos que se baseiam em documentos reais para retratar a resistência dos escravos ao sistema colonial.

A história tem quase 200 páginas, desenhadas em preto e branco e narradas com poucos diálogos. D’Salete transforma em ficção histórias encontradas em relatos antigos, tentando imaginar a perspectiva do escravizado frente aos desmandos do período colonial.

A indicação à categoria de melhor edição americana de material estrangeiro demonstra, segundo D’Salete, o interesse crescente do público pela história da escravidão e do negro no Brasil.

“Essa vitória, dentro de um mercado enorme que é os EUA, é muito significativa para o quadrinho nacional. Ainda mais com um trabalho falando sobre nossa história, de um modo especial. É o meu modo de contar histórias, que inicialmente até achava que afastava as pessoas, mas que está chamando a atenção até de pessoas que não liam quadrinhos.”


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