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12 de novembro de 2019, 20h24

Com parlamento vazio, senadora golpista se autoproclama presidenta da Bolívia

Jeanine Añez é partidária do golpe de Estado que derrubou o presidente Evo Morales e já deu declarações racistas no Parlamento

A autoproclamada presidente da Bolívia, Jeanine Áñez - Foto: Reprodução

No melhor estilo Juan Guaidó, na Venezuela, a senadora Jeanine Añez, do partido Democratas, se autoproclamou presidenta da Bolívia na tarde desta terça-feira (12), durante uma sessão não iniciada no Senado por falta de quórum. Partidários do MAS, de Evo Morales, possuem a maioria do Legislativo e não respaldam o nome de Añez.

A senadora era a segunda vice-presidenta do Senado e tomou a presidência da casa legislativa após a renúncia dos demais senadores, ameaçados pelo golpistas, que queimaram casas e sequestraram parentes de lideranças do MAS. Añez convocou sessão na tarde desta terça-feira, mas não garantiu, junto às Forças Armadas, a segurança de nenhum dos legisladores massistas.

“Assumo de imediato a presidência da Bolívia prevista na ordem constitucional e me comprometo a assumir todas as medidas necessárias para pacificar o país”, declarou em meio a uma sessão com menos de 10 senadores.

Carlos Mesa, segundo colocado nas eleições de 20 de novembro e um dos promotores do golpe de Estado contra Evo Morales, reconheceu Añez como “presidente constitucional”. “Parabenizo a nova Presidente Constitucional da Bolívia Jeanine Añez. Nosso país consolida com sua posse, sua vocação democrática e a coragem de uma ação popular legítima, pacífica e heróica. Todo o sucesso no desafio que você enfrenta. Viva a pátria !!!!!”, tuitou.

“Passando por cima da própria Constituição, já destroçada pelo golpe, sem deputados da bancada majoritária, nem quórum, se proclama Presidenta. Golpe institucional avança”, questionou a jornalista Patrícia Villegas, presidenta da TeleSUR.

Racismo

Pelas redes sociais, foi lembrada uma declaração racista de Añez que disse que não aceitava a Whipala, bandeira dos povos originários. A Whipala aparece como um dos símbolos das tensões entre golpistas e movimentos sociais. A bandeira foi queimada em praça pública pela extrema-direita e arrancada dos uniformes pelos policiais golpistas. Os indígenas se indignaram e estão em marcha.

 

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