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03 de fevereiro de 2018, 18h27

Comandante das Forças Armadas da Venezuela responde EUA e reitera lealdade a Maduro

Ministro da Defesa, o general Vladimir Padrino López, repudiou declarações do secretário de Estado estadunidense

Ministro da Defesa, o general Vladimir Padrino López, repudiou declarações do secretário de Estado estadunidense

Por Brasil de Fato

O ministro da Defesa da Venezuela, o comandante Vladimir Padrino López, repudiou, nesta sexta-feira (2), às últimas declarações do secretário de Estado dos Estados Unidos (EUA), Rex Tillerson.

“As Forças Armadas Forças Armadas Nacional Bolivariana repudiam de maneira radial as deploráveis declarações, que consistem em um nefasto ato de ingerência. Além disso, ratificamos nosso absoluto respeito à Constituição e às leis do país, assim como nossa lealdade ao presidente Nicolas Maduro”, ressaltou Lopez.

O secretário estadunidense havia insinuado que poderia haver um golpe por parte dos militares contra o presidente Maduro. “Na história da Venezuela, como na história de outros países da América Latina, muitas vezes são os militares os agentes de mudança quando as coisas estão mal ou a liderança já não pode mais servir à população, disse Rex Tillerson, na última quinta-feira (1), durante uma palestra na Universidade do Texas.

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Os militares venezuelanos, no entanto, prometeram defender o povo venezuelano contra, o que classificaram, como “intervenção estrangeira”. “Sob a liderança do nosso comandante e chefe Nicolás Maduro, seguiremos atuando de acordo com o interesse do povo venezuelano. Não aceitaremos jamais que nenhum governo ou potência estrangeira intervenha de nenhuma forma em nossa amada pátria”, disse o ministro da Defesa.

Padrino Lopez disse ainda que o secretário de Estado vem à América Latina, essa semana, para promover políticas contra a Venezuela. “Ele vai iniciar uma viagem pela América Latina para persuadir os líderes latino-americanos a intervir na Venezuela”. Nessa sexta-feira (2), Rex Tillerson chegou a Cidade do México, de lá ele parte para Argentina, Colômbia, Jamaica e Peru. O Brasil foi deixado de fora da visita oficial.

Interresse

Por trás das declarações do secretário de Estado estão os interesses da maior empresa de petróleo do mundo, a Exxon Mobil, segundo o ministro da Defesa venezuelano. “O senhor Tillerson dirigiu uma das empresas mais ponderosas do mundo. Por isso, parte do ódio que sente por Venezuela é devido a derrota em litígio, em uma disputa judicial, que venceu o comandante Hugo Chávez”, destacou Padrino Lopez.

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As declarações vem no contexto da trajetória de Tillerson, que é engenheiro e funcionário de carreira da Exxon Mobil. Além disso, o atual secretário foi presidente e CEO da empresa por dez anos, entre 2006 e 2016.

Em 2007, o ex-presidente Hugo Chávez revisou os contratos de sociedade entre a estatal venezuelana PDVSA e as empresas estrangeiras. A PDVSA passou a ser sócia majoritária em todos os negócios relacionados ao petróleo, através de desapropriação e compra de ativos por parte do governo da Venezuela.

A nacionalização do setor petroleiro resultou na saída das americanas Exxon Mobil e Conoco Phillips do mercado venezuelano. O valor dos empreendimentos foi pago às petroleiras. No entanto, as duas estadunidenses abriram processos de arbitragem internacional contra o governo venezuelano em busca de indenização e compensação pela perda dos ativos.

Depois de uma longa briga judicial, o veredicto final da Câmara Internacional de Comércio (ICC, na sigla em inglês), anunciado em 2016, foi favorável ao governo à Venezuela.

Por outro lado, a americana Chevron, a britânica BP, a norueguesa Statoil e a francesa Total aceitaram permanecer no país como sócias minoritárias nos projetos petroleiros. Total e Statoil receberam US$ 1 bilhão cada em compensação pela redução de suas participações nas operações que possuem na Venezuela.

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Edição: Simone Freire

Foto: Fania Rodrigues

 

 


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