Fórumcast #20
18 de julho de 2014, 10h47

Como e quando pôr fim à intervenção internacional

Kosovo. Afeganistão. Iraque. Todos países que sofreram “intervenção internacional” nos últimos anos, são exemplos de como a falta de visão a longo prazo dos beligerantes podem arruinar um país

Por Ved Singh, em Foreign Policy in Focus | Tradução: Vinicius Gomes

O recente caos no Iraque e a contínua bagunça que é o Afeganistão – dois países visitados extensivamente por países estrangeiros – levanta a questão sobre se a comunidade internacional realmente conseguirá algum dia se “livrar” de um país depois que ela interveio nos assuntos internos deste.

No livro Estratégias de Saída e Construindo o Estado, o professor de relações internacionais de Oxford, Richard Caplan, compilou uma série de ensaio de 16 notáveis acadêmicos que focam em quatro tipos de experiência pós-conflito: administrações coloniais, operações complexas de manutenção da paz, administrações territoriais, internacionais e ocupações militares transformadoras. O volume adicionado a essas temáticas envolve modificações institucionais para auxiliar na transição pós-conflito e política econômica para a consolidação da paz.

A coleção foca em entradas e saídas – como a comunidade internacional se torna envolvida em ambientes pós-conflito e como se extrai dessa equação.

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As saídas, argumenta o livro, deveria ser um processo de transição, ao invés de um evento – como uma eleição. Além do mais, a saída está invariavelmente ligada à entrada, pois como Caplan sugere, “uma estratégia de entrada visa uma estratégia de saída”.

Quando isso não acontece, estratégias de saída são difíceis de serem formuladas, como o caso de Kosovo mostra. Pacificadores da ONU desembarcaram em Kosovo sem uma estratégia ou data clara após a “violenta e confusa” campanha de bombardeio das forças da OTAN, seguida da retirada das forças sérvias de Kosovo.

Mas nem as saídas também não querem dizer um fim absoluto do envolvimento da comunidade internacional na construção de um Estado. Em diversos países nos Bálcãs – Macedônia, Kosovo, Croácia, Bósnia e Herzegovina – a União Europeia, através de seu processo de acessão, teve um significante papel na reconstrução de países pós-conflito.

No caso da Bósnia, a comunidade internacional continua a ter um papel integral em manter o país de pé.

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Como os diversos estudos de caso que o livro demonstra, por conta de saídas serem um processo transicional, a construção do Estado exige uma contínua reavaliação dos diferentes personagens no local. O caso do Iraque mostrou que as forças dos EUA não tinham muito conhecimento dos personagens locais quando eles invadiram o país e iniciaram o processo de construção do Estado, o que resultou em uma sangrenta guerra sectária e uma longa batalha contra insurgentes.

No final, os países devem focar não apenas no “momento”, mas no “processo”. Caplan conclui, “Um país [interventor] não deve apenas ter grande flexibilidade – uma firme orientação rumo a um estado final, ao contrário de uma data final – mas também considerar um longo caminho a ser percorrido e assim evitar a tentação de procurar respostas fáceis”.


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