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28 de Maio de 2019, 17h22

Crescimento da ultradireita europeia faz Papa Francisco reforçar discurso pró-migrantes

A ascensão da ultradireita observada nas eleições do Parlamento Europeu levou Francisco a adiantar a divulgação da mensagem que preparava para a Jornada Mundial do Migrante e do Refugiado; "Não se trata só dos migrantes, se trata da nossa humanidade". Confira

Foto: Twitter/Pontifex

O resultado das eleições europeias no último domingo (26), nas quais a extrema-direita, mesmo não sendo a grande vencedora, registrou um importante aumento em sua representação, além de vitórias em alguns países importantes como na França e na Itália, foi um dos fatores que levaram o Papa Francisco a adiantar a divulgação da mensagem que preparava para a Jornada Mundial do Migrante e do Refugiado, que está programada para o dia 29 de setembro.

“Não se trata só dos migrantes” é o título da mensagem publicada pelo Santo Padre, embora o parágrafo conclusivo traga a versão mais completa da frase, que é o ponto central do discurso: “Não se trata só dos migrantes, se trata da nossa humanidade, e também dos nossos medos, se trata de colocar os últimos em primeiro lugar, de não excluir ninguém”.

Para defender esses princípios, a mensagem papal enumera sete pontos que destaca para uma melhor convivência entre os cidadãos do mundo, que são: 1) o acolhimento dos migrantes, para superar “a maldade dos nossos tempos e o medo ao outro como condicionante da nossa forma de pensar”; 2), a caridade, através da qual “mostramos a nossa fé, que se exerce para com aqueles não podem reagir, às vezes sequer para dizer obrigado”; 3) a compaixão, que “toca a fibra mais sensível da nossa humanidade, que é impulso de estar próximo àqueles que vemos em situação de dificuldade”.

No meio da sua mensagem, o Papa toca talvez o seu ponto mais importante: 4) a inclusão social, e nessa parte, ele recorda que “os países em desenvolvimento estão esgotando seus melhores recursos naturais e humanos, em benefício de alguns poucos mercados privilegiados”, e também afirma que as consequências das guerras e das crises atingem “sempre os pequenos, os pobres, os mais vulneráveis, aqueles que estão proibidos de se sentar à mesa e ficam só com as migalhas do banquete”.

Os três últimos pontos são: 5) o humanismo cristão, e nesse sentido o Papa afirma que Jesus Cristo combateu “a lógica do mundo que justifica abusar dos demais para alcançar o benefício pessoal, e a ideia do ‘primeiro eu e depois os demais’”, além de afirmar que “o verdadeiro lema do cristão é “os primeiros (a serem atendidos) devem ser os últimos (da pirâmide social)”; 6) a igualdade, ponto no qual o Santo Padre convida a entender que “em cada atividade política, em cada programa, em cada ação pastoral, devemos colocar o ser humano no centro da questão, em suas múltiplas dimensões, incluindo a espiritual, reconhecendo em todas as pessoas a igualdade fundamental”; e, finalmente, 7) “não se trata só dos migrantes: se trata de construir a cidade de Deus, e do homem”.

O texto também fala sobre as guerras e crises econômicas como causa, e sobre a migração como consequência dos acontecimentos no mundo nos últimos anos, gerando o que definiu como uma “globalização da indiferença”.

Segundo Francisco, os migrantes se tornaram “um emblema da exclusão a nível mundial, porque além de suportar as dificuldades por sua própria condição, também são objeto de preconceitos e injustamente responsabilizados pelos males da sociedade”.

Segundo a jornalista argentina Elena Llorente, correspondente do diário Página/12, “o Papa decidiu não perder tempo, talvez calculando que os resultados destas eleições podem ser aproveitados por Matteo Salvini e seu setor anti imigrantes, e publicou já nesta segunda-feira (27) a sua mensagem para a Jornada Mundial de setembro.

O texto original da mensagem do Papa Francisco, em sua versão em espanhol, pode ser lido na página da ACI (Agência Católica de Informações).

 


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