Entrevista exclusiva com Lula
20 de maio de 2019, 11h26

De Milão, Salvini e Le Pen mobilizam frente de extrema-direita europeia

A uma semana da votação da União Europeia, os líderes dos partidos nacionalistas-populistas de extrema-direita lançaram um apelo sob o signo do medo e do egoísmo.

*Por Fabio Porta
**Tradução Vinicius Sartorato

A uma semana do voto os líderes dos partidos nacionalistas-populistas de extrema-direita lançaram um apelo sob o signo do medo e do egoísmo.

Partiu da Praça Duomo em Milão um apelo das forças xenófobas e nacionalistas do continente para um voto contra aquela que eles consideram ser a “Velha Europa” (a de Juncker, Merkel, Macron).

Essa Europa, governada hoje a partir do acordo entre forças moderadas (os populares, liberais, social-democratas e socialistas), deveriam ser substituídos por uma outra aliança entre os partidos de extrema-direita, com populares e conservadores.

Na praça em Milão estava obviamente Matteo Salvini, líder da “Liga” e vice-primeiro-ministro italiano, mas também a francesa Marine Le Pen do “Ressurgimento Nacional” francês, o chefe do “Partido pela Liberdade” Geert Wilders e os principais líderes de partidos similares da Áustria, Bélgica, Alemanha, República Tcheca, Eslováquia, Bulgária, Estônia e Finlândia.

Uma frente composta e unida mais pelos inimigos em comum (em especial o Papa Francisco, acusado de defender os direitos dos imigrantes e seu acolhimento) que por um verdadeiro programa de governo para uma “nova” Europa que diz querer construir.

Se, por exemplo, Salvini declarou repetidamente que a Itália não aceitará os parâmetros econômicos impostos pela UE, seus aliados austríacos (mas não apenas eles) argumentam exatamente o contrário, ou seja, que os países economicamente “virtuosos” não aceitarão mais exceções e flexibilidade para atender os países menos disciplinados economicamente, como aconteceu há alguns anos com a Grécia.

Mesmo no tema da imigração e na política externa, os extremistas são tudo menos alinhados: enquanto os italianos gostariam de distribuir imigrantes entre os países do bloco, os austríacos e os alemães querem fechar definitivamente as portas à imigração estrangeira; se Salvini e Le Pen não escondem sua relação privilegiada com Putin, as forças direitistas dos países do leste europeu ainda não confiam nos russos.

Felizmente, é improvável que eles saiam vencedores nas eleições europeias de 26 de maio. Todo o bloco dos “soberanos puros” (amigos da família Bolsonaro) não deve passar de 10% dos assentos no Parlamento Europeu; mesmo com um possível acordo com os conservadores britânicos, eles teriam um resultado bem abaixo de 20%.

A Itália, em tese ressaltada pelos ex-primeiros-ministros Romano Prodi e Enrico Letta, daria a maioria de seus votos a Liga (de Salvini e de extrema-direita) que seria uma minoria na Europa; aumentando ainda mais o isolamento de Roma, hoje liderado por um governo em permanente conflito e lutando com os piores índices econômicos do continente.

Em jogo com estas eleições, mais do que o futuro “governo” da União Europeia, existem os valores profundos e universais em que, após a segunda guerra mundial, possibilitou o sonho de uma Europa unida. Trata-se, portanto, de um jogo aberto e difícil entre o sonho de uma Europa inclusiva e solidária (ainda não plenamente realizada) e o pesadelo de um continente que corre o risco de mergulhar novamente nos nacionalismos e no egoísmo que estiveram na origem de duas guerras mundiais.

*Fabio Porta é secretário do Partido Democrático (PD) Italiano no Brasil, ex-deputado do parlamento italiano (2008-2018).

**Vinicius Sartorato (@vinisartorato) é jornalista e sociólogo. Mestre em Políticas de Trabalho e Globalização pela Universidade de Kassel (Alemanha).


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