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09 de dezembro de 2019, 10h04

Derrotado nas eleições presidenciais, Macri perde a hegemonia no Boca Juniors para Riquelme, aliado de Alberto Fernandez

Principal fator da derrota macrista no Boca é o novo vice-presidente do clube: o craque Juan Román Riquelme, que é amigo pessoal de Alberto Fernández, o político que tirou Macri da Casa Rosada

Riquelme com Alberto Fernandez e Maurício Macri (Montagem)

O neoliberal argentino Mauricio Macri está vivendo um verdadeiro inferno astral, caso acredite em astrologia. Neste domingo (8), em seu penúltimo dia como chefe da Casa Rosada, o empresário viu ruir uma hegemonia muito mais antiga, que ele mantinha desde 1995: seu grupo político perdeu as eleições do Boca Juniors, deixando para trás uma hegemonia de 25 anos no clube.

A derrota também conta com um elemento pitoresco com relação ao cenário político nacional: a chapa vencedora é liderada por Jorge Ameal e tem como vice-presidente o ex-ídolo boquense, Juan Román Riquelme. Eles tiveram 47% dos votos, enquanto a chapa macrista, encabeçada por Christian Gribaudo e Juan Carlos Crespi, ficou com 36%.

O craque argentino é muito conhecido por sua passagem pelo Boca, onde foi campeão da Libertadores e do Mundial (justamente na época em que Macri era presidente do clube), mas poucos sabem que Riquelme começou e terminou sua carreira em um clube médio de Buenos Aires chamado Argentinos Juniors, onde se tornou muito amigo de um conselheiro que, por essas coincidências da vida, é o mesmo político que está tirando Macri da Casa Rosada: ele mesmo, Alberto Fernández.

Nem Riquelme nem Fernández confirmaram o rumor que corre na imprensa argentina de que o político foi quem convenceu o ex-jogador a participar das eleições do Boca e exercer o mesmo fator de vice estelar da chapa, como o que teve a ex-presidenta Cristina Kirchner na chapa de Fernández, na vitória presidencial de outubro deste ano. Contudo, é evidente que a presença do craque na chapa foi decisiva para a vitória deste domingo.

O macrismo chegou à presidência do Boca Juniors com o próprio Mauricio Macri, que foi presidente entre 1995 e 2007, e saiu da lá como um dos mais vitoriosos da história do clube (com 6 títulos de campeão argentino, 4 Libertadores, 2 Sulamericanas e 2 Mundiais). Riquelme foi um dos jogadores símbolo dessa era, embora nunca tenha escondido suas rusgas com o presidente, o que o fez se afastar do clube em diferentes ocasiões.

Quando Macri saiu do Boca para se candidatar à prefeitura de Buenos Aires (cargo que ocupou entre 2008 e 2015, antes de assumir a Presidência da Argentina), o macrismo continuou no poder no clube, especialmente com Daniel Angelici, que foi eleito em 2011 e estava no cargo até este domingo. Angelici também é advogado, e dividia seu tempo entre a administração do Boca e o trabalho de lobista do macrismo junto ao Poder Judiciário argentino ora em favor do Macri prefeito da capital, ora em Macri presidente da nação.

O novo presidente do Boca, Jorge Ameal, terá mandato de quatro anos. Portanto, deverá comandar o clube de maior torcida na Argentina até 2023, acompanhando o mandato de Alberto Fernández, que assumirá a Casa Rosada nesta terça-feira (10).

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