Deu no New York Times: pó branco, rostos vermelhos e a carga de cocaína a bordo do avião presidencial do Brasil

Ainda no primeiro parágrafo, o NYT lembra que Bolsonaro prometeu perseguir implacavelmente o narcotráfico durante sua campanha presidencial, e que por isso seu governo foi duramente pressionado a explicar o ocorrido com o avião, que fazia parte da comitiva presidencial.

Em matéria assinada pelo correspondente Ernesto Londoño, e publicada nesta quarta-feira (26), o jornal estadunidense The New York Times comentou ironicamente o caso do militar brasileiro preso na Espanha com porte de 39 kg de cocaína.

O texto começa satirizando o mandatário brasileiro logo no título: “Pó branco, rostos vermelhos”. Ainda no primeiro parágrafo, o NYT lembra que Bolsonaro prometeu perseguir implacavelmente o narcotráfico durante sua campanha presidencial, e que por isso seu governo foi duramente pressionado a explicar o ocorrido com o avião, que fazia parte da comitiva presidencial.

O jornal também fala que “apesar do extraordinário constrangimento extraordinário para o senhor Bolsonaro, ele exaltou a integridade e o profissionalismo das Forças Armadas brasileiras (…) e chamou de `inaceitável´ o que aconteceu, prometendo uma `punição severa´ para o envolvido”.

A matéria também dá nome ao oficial preso no Aeroporto de Sevilha, dizendo se tratar do sargento Manoel Silva Rodrigues, que transportava a equipe de apoio à viagem de Bolsonaro para a cúpula do G20, no Japão, e fazia uma escala na Espanha.

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Segundo o NYT, que repercutiu declarações das autoridades espanholas ao jornal El País, o sargento Rodrigues saiu do avião carregando uma sacola e uma mala de mão, e quando os inspetores do aeroporto revisaram a sacola, encontraram 37 pacotes de cocaína e nada mais.

O jornal americano também lembra que o Brasil está entre os maiores mercados consumidores de cocaína do mundo, e que é um importante ponto de partida para o envio de drogas à Europa e à África. Também salientou que Bolsonaro apresentou um projeto recentemente que define sentenças mais severas por crimes relacionados ao trágico de drogas, o qual permitiria à polícia ter mais liberdade para abrir fogo contra suspeitos de crimes.

Finalmente, a matéria termina com uma declaração do deputado Marcelo Freixo, dizendo que “a prisão do militar deveria levar o governo a refletir sobre sua abordagem para combater o narcotráfico, e demonstra o erro em se perseguir uma guerra contra as drogas nas favelas brasileiras, que vitima os mais pobres e gera fortunas em todo o mundo e envolve pessoas poderosas”.

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