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20 de janeiro de 2020, 11h40

Dez trilhões de dólares deixam de ser pagos a trabalhadoras domésticas todos os anos

Estudo da organização Oxfam aponta que esta é uma das categorias profissionais mais exploradas do mundo

Foto: Oxfam

O Relatório Tempo de Cuidar, divulgado pela organização Oxfam, neste domingo (19), aponta que uma das categorias profissionais mais exploradas do mundo são as trabalhadoras domésticas. Somente 10% delas, de acordo com o estudo, são protegidas por leis trabalhistas gerais e apenas cerca de metade delas conta com a mesma proteção em termos de salário mínimo.

Esse trabalho vale mais de dez trilhões de dólares por ano, um valor ignorado ou mal pago.

Veja o estudo completo aqui: 200120_Tempo_de_Cuidar_PT-BR_sumario_executivo-1

O relatório diz ainda que mais da metade de todas as trabalhadoras domésticas não tem limite para a jornada de trabalho previstos na legislação nacional. Nos casos mais extremos de trabalho forçado e tráfico de mão de obra, as trabalhadoras domésticas se veem presas nas residências de seus patrões, com todos os aspectos de suas vidas controlados, o que as torna invisíveis e desprotegidas.

Katia Maia, diretora da Oxfam no Brasil, acredita que o melhor a fazer é divulgar os dados inéditos apresentados. O relatório é liberado há cinco anos no Fórum Econômico Mundial de Davos, que começa no próximo dia 21.

“Lançamos em Davos porque é a reunião que junta o poder econômico do mundo. A gente vem mostrando como existe cada vez mais uma concentração, uma desigualdade extrema que não tem sido solucionada”, diz a diretora. “Essa importância econômica não é contabilizada nos PIBs (Produto Interno Bruto), por exemplo. Como a gente vive em um mundo monetizado, as coisas só passam a ser importantes quando temos um valor”, critica.

Para Katia Maia, pensar o Brasil nesse contexto deve considerar o recorte racial, que coloca as mulheres negras na base da pirâmide do trabalho doméstico não pago. Com o conservadorismo moral forte no governo Bolsonaro, Maia teme uma imobilidade social para quem, há inúmeras gerações, cuida de homens e mulheres que prosperam economicamente.

“Se a gente está com governos com uma mensagem ultraconservadora, temos mais dificuldade pra fazer a mudança cultural necessária. As pessoas passaram séculos vendo a “mulher do lar”. Esse cuidado invisível do trabalho doméstico e do cuidado, que é não remunerado ou mal pago, tem um valor econômico que não é repassado”, analisa Maia. “Esse tema é invisível. A crise da prestação de cuidados é eminente”, diz.

Com informações da Carta Capital

 


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