O que o brasileiro pensa?
13 de junho de 2020, 09h20

Ditadora boliviana se recusa a promulgar terceira nova data das eleições no país

Jeanine Áñez, imposta no poder pelos militares após o golpe de Estado de novembro, já adiou as eleições duas vezes, e se negou a oficializar a nova data estipulada pelo Congresso para o dia 6 de setembro

A ditadora boliviana Jeanine Áñez (foto: La Información)

A ditadora da Bolívia, Jeanine Áñez, se recusou a promulgar a lei que estabelece o dia 6 de setembro como nova data para as eleições gerais na Bolívia. Como justificativa para tal postura, ela pediu um estudo epidemiológico para avaliar a viabilidade das eleições, em meio a possibilidade de que o surto do coronavírus se mantenha no país durante todo o inverno.

Áñez foi colocada no poder por imposição dos militares, no dia 12 de novembro de 2019, dois dias depois do golpe de Estado organizado por diferentes grupos civis de direita e também pelas Forças Armadas, que acabou com o governo de Evo Morales (2006-2019). Ela era vice-presidenta do Senado, mas os militares também forçaram a renúncia da presidenta, a senadora socialista Adriana Salvatierra.

Inicialmente, Áñez afirmou que se trataria de um mandato curto, apenas para organizar o novo processo eleitoral, no qual ela mesma não participaria. Porém, a data já foi adiada duas vezes: a primeira, em 23 de fevereiro, foi mudada devido a que Áñez mudou de ideia e decidiu que ela sim concorreria como candidata presidencial, e precisava de tempo de campanha, a segunda data, em 3 de maio, foi descartada devido à pandemia do coronavírus.

A decisão de Áñez contraria uma resolução do Congresso a respeito da nova data para as eleições. Por isso, a ditadora escreveu uma carta à presidenta do Senado, Eva Copa (do partido MAS, Movimento Ao Socialismo, opositor e o mesmo do ex-presidente Evo Morales), explicando sua decisão. “Acabei de enviar esta carta à senadora Copa sobre a data da eleição e a necessidade de cuidar da saúde das famílias bolivianas”, confessou a ditadora, por Twitter.

“É compreensível e muito respeitável que você e outros líderes políticos desejem eleições o mais rápido possível. Mas é ainda mais compreensível e respeitável que a grande maioria dos bolivianos sinta que essas eleições representam um enorme risco para a saúde e a vida de cada família. em nosso país”, justificou a ditadora.

Segundo as pesquisas eleitorais, o candidato do MAS, Luis Arce, venceria as eleições presidenciais se elas acontecessem hoje, e talvez no primeiro turno, já que apresenta 36% das intenções de voto, como média na maioria das sondagens. Áñez aparece em segundo ou terceiro lugar, dependendo da pesquisa, sempre com menos de 20%.

Para vencer a eleição no primeiro turno, um candidato precisa ter mais de 40% dos votos e uma vantagem de mais de 10% sobre os segundo colocado.


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum