domingo, 20 set 2020
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Ditadura boliviana apresenta terceira denúncia contra Evo Morales por suposto crime de terrorismo

Nesta segunda-feira (10), o Ministério Público boliviano apresentou mais uma denúncia contra o ex-presidente Evo Morales por suposto crime de terrorismo, genocídio e atentado à liberdade de transporte e contra a saúde pública.

Junto com ele, também foram acusados, pelos mesmos hipotéticos crimes, o economista Luis Arce e o diplomata David Choquehuanca, candidatos a presidente e vice pelo MAS (Movimento ao Socialismo) para as próximas eleições, além de Juan Carlos Huarachi, secretário-geral da COB (Central Operária Boliviana, principal entidade sindical do país).

Segundo o procurador Marco Cossío, os réus teriam participação nos recentes protestos que afetaram várias importantes estradas do país, e que o governo ditatorial de Jeanine Áñez catalogou como “atos de terrorismo”, por supostamente “impedir o transporte normal de oxigênio medicinal para centros de saúde que tratam pacientes com covid-19”.

Esta é a terceira acusação imposta pelo Ministério Público boliviano contra Evo Morales por suposto crime de terrorismo. As demais (apresentadas em fevereiro e em julho), continuam tramitando na Justiça.

No caso do candidato presidencial Luis Arce, já é a quarta denúncia que ele acumula em apenas três meses. Desde maio, quando as pesquisas começaram a apontar uma possível vitória sua já no primeiro turno, Arce passou a ser alvo de acusações por diversos crimes, desde corrupção, a suposto envolvimento com o tráfico, e agora de suposto ato de terrorismo. Como no caso de Morales, todos os processos também estão em tramitação.

A ditadura de Jeanine Áñez foi imposta pelas Forças Armadas em novembro de 2019, depois do golpe de Estado que derrubou Evo Morales. Desde então, já foram anunciadas 3 diferentes datas para uma nova eleições, mas todas elas foram descartadas, usando a pandemia como desculpa.

As pesquisas mais recentes apontam que Arce tem mais de 40% das intenções de voto, e mais de 10% de vantagem sobre o segundo colocado, o jornalista conservador Carlos Mesa, que não chega nem aos 30%. Com esses números, segundo a lei eleitoral local, ele seria eleito no primeiro turno.

Victor Farinelli
Victor Farinelli
Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos, há 15 anos é correspondente na Argentina (2004 e 2005) e no Chile (desde 2006).