Biden X Trump: nada está garantido, indicam pesquisas; por Heloisa Villela

Democrata lidera as pesquisas, com média de seis pontos de vantagem, nos 12 estados-pêndulo, com exceção do Texas. Mas a margem é estreita

(Fotos: Reprodução)

As últimas pesquisas eleitorais são motivo de dor de cabeça para democratas e republicanos. Se é verdade que Joe Biden precisa trabalhar mais pelo voto latino, os resultados também mostram que Donald Trump está perdendo terreno junto ao grupo mais expressivo do eleitorado dele: os brancos dos estados-pêndulo onde eles são a maioria. E são esses estados que de fato vão decidir quem ocupará a Casa Branca pelos próximos quatro anos. A possibilidade de escolher o novo juiz da Suprema Corte, com a vaga aberta pela morte de Ruth Bader Ginsburg, pode ser a cartada que faltava para Trump consolidar votos essenciais na Flórida. E quem levar a Flórida tem mais de meio caminho andado até a vitória.

Esta semana Trump vai a duas cidades da Flórida: Jacksonville e Miami. Líderes republicanos do estado estão pressionando o presidente a anunciar, durante a visita, o nome escolhido para substituir Ginsburg. E fazem lobby forte por Barbara Lagoa, primeira mulher latina e primeira cubana-americana a ocupar uma vaga na Suprema Corte estadual. Católica, 52 anos, Lagoa tem potencial para selar de vez o voto cubano-americano para Trump. Mas será que ele precisa se preocupar com esse pessoal?

Biden não está brigando por esse eleitorado. Os latinos no alvo da campanha democrata falam espanhol com outro sotaque. O mesmo sotaque usado nos anúncios de rádio e tevê que finalmente começaram a circular na Flórida. Dois deles narrados por porto-riquenhos dizem que não se pode esquecer… e mostram imagens de Porto Rico devastado por furacões para relembrar que Trump abandonou a ilha à própria sorte quando a população mais precisava de ajuda. Se não vê muita chance de carregar os votos cubanos da Florida, Biden acha que pode dividir os latinos e também um eleitorado-chave do adversário.

Na sexta-feira (18), Trump e Biden fizeram campanha em Minnesota, estado em que o eleitorado branco deu sete pontos de vantagem a Trump sobre Hillary Clinton na última eleição. Agora, Biden está na frente, nesse grupo, com 2 pontos percentuais de vantagem. Ou seja, nada está garantido. Em Wisconsin, Trump também perdeu a vantagem de 16 pontos, entre os brancos sem ensino superior. Agora ela é de 9 pontos. Na Pensilvânia, esse bloco de votos está dividido ao meio entre os dois candidatos.

Na última eleição, os brancos representaram 80% dos votos nos três estados. E na última eleição, Trump deu um banho nessa categoria. Ganhou o voto branco, nacional, com 16 pontos de vantagem. Agora, dependendo da pesquisa, ele está 9 pontos na frente, tem 5 pontos a mais ou está empatado com Biden. Em dois outros estados-pêndulo, a tendência se confirma: Trump também perdeu terreno com os brancos do Arizona e da Flórida dos 39 pontos de vantagem em 2016, caiu para 17). A notícia seria melhor para os democratas se nada mais tivesse mudado em relação a 2016. Mas os latinos também estão oscilando.

Na Florida e no Texas, Trump e Biden estão virtualmente empatados. Se Biden tem 2 pontos na frente na Florida, Trump também tem seu dois pontos de vantagem no Texas. Na última eleição, Trump venceu nos dois estados. Biden lidera as pesquisas, com média de seis pontos de vantagem, nos 12 estados-pêndulo, com exceção do Texas (Florida, Arizona, Georgia, Iowa, Maine, Michigan, Minnesota, Nevada, New Hampshire, Carolina do Norte, Pensilvânia e Wisconsin). Mas ninguém pode ficar tranquilo com seis pontos de vantagem em pesquisas eleitorais. A margem é estreita e o tempo, muito curto.

Este post foi modificado pela última vez em 21 set 2020 - 10:21 10:21

Heloisa Villela: Correspondente da Fórum em Nova York.