sexta-feira, 23 out 2020
Publicidade

Eleitores de Trump planejam “machucar pessoas” para colocar culpa em antifascistas

Reportagem do The Guardian mostra chats do movimento Coalizão de Patriotas onde se fala até em assassinatos políticos, e em “lealdade com os Estados Unidos e o presidente Trump”

Uma reportagem do jornal britânico The Guardian, publicada nesta quarta-feira (23) mostra várias conversas por chat de ativistas da Patriots Coalition (“Coalizão de Patriotas”) nas quais os participantes planejam realizar diferentes tipos de distúrbios na cidade de Portland, durante o próximo fim de semana, para atribuí-los a grupos antifascistas opositores ao governo de Donald Trump.

Segundo a reportagem, as conversas foram realizadas dentro de um aplicativo chamado GroupMe, e vazadas ao The Guardian pelo grupo antifascista Eugene Antifa. Por sua parte, a Patriots Coalition é uma organização que possui representação em todo o território dos Estados Unidos, mas a reportagem afirma que as conversas vazadas envolvem apenas integrantes da regional da entidade no Oregon.

Nas conversas, os ativistas de extrema-direita combinam estratégias para fortalecer eleitoralmente o presidente Donald Trump, candidato à reeleição apoiado pelo movimento. Em vários momentos, eles discutem formas de ataques armados a ativistas de esquerda em Portland, e também em campanhas de desinformação sobre os protestos na cidade e sobre os incêndios florestais que assolam a Costa Oeste estadunidense há vários dias.

Em um segundo momento, as ideias de ataque à esquerda e campanha de desinformação se mesclam, e o grupo começa a planejar a realização de atentados em Portland, com o intuito de culpar os movimentos antifascistas contrários a Trump. Inclusive se fala até em assassinatos políticos, e se estipula o próximo fim de semana (dias 26 e 27 de setembro) como data ideal para realizar os tais ataques.

Alguns participantes da conversa se resistem, com a alegação de que “é preciso fazer tudo dentro da lei”, mas são contrariados por um dos que, segundo a reportagem, seria dos mais participativos nas conversas: Um participante do chat que se identifica como Mark Melchi, e que diz ser um vendedor de carros e ex-capitão do Exército dos Estados Unidos.

Segundo Melchi, “não importa que as leis digam que armas de fogo e armas paralisantes são ilegais no centro (de Portland). Se achamos que vamos conseguir algo seguindo as leis nós já perdemos. Estamos aqui para fazer uma mudança, as leis serão quebradas, as pessoas vão se machucar… O centro da cidade é terra sem lei e as pessoas terão que estar preparadas para coisas ruins”.

A reportagem também conta que Melchi é membro de uma milícia armada pró-Trump, conhecida como 1776 2.0, que se define como “defensora da refundação dos Estados Unidos”. “Meu Grupo (1776 2.0) está lutando contra os antifas em Seattle e Portland, há meses. Temos que estar preparados para abrir fogo para defender o nosso país”, comenta Melchi, que também prega a lealdade dos companheiros “com os Estados Unidos e o presidente Trump”.

Victor Farinelli
Victor Farinelli
Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos, há 15 anos é correspondente na Argentina (2004 e 2005) e no Chile (desde 2006).