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22 de outubro de 2019, 16h11

Em meio ao caos no Chile, primeira-dama lamenta ter que cortar privilégios; ouça

Com tom aristocrático, Cecília Morel, esposa do presidente Sebastián Piñera, chama manifestantes de "alienígenas" e lamenta ter que reduzir privilégios

O Chile vive um dos momentos mais críticos de sua história pós-ditadura militar - Foto: Reprodução/Twitter

Ganhou repercussão nas redes sociais do Chile um áudio em que a primeira dama, Cecilia Morel, comenta sobre a situação do país com uma amiga e prevê um cenário “muito grave” pela frente. Ela compara os protestos com uma “invasão alienígena” e, em tom de lamento, fala sobre a necessidade de diminuir seus próprios privilégios. O governo confirmou a veracidade da gravação nesta terça-feira (22).

“Amiga, acredito que o mais importante para nós é manter a cabeça fria, não seguirmos nos esquentando, porque o que vem é muito, muito grave. […] Estamos  absolutamente acima do limite, é como uma invasão estrangeira, alienígena, não sei como dizer, e não temos ferramentas para combatê-la. Por favor, mantenhamos a calma […] Vamos ter que diminuir nossos privilégios e compartilhar com os demais”, diz Morel no aúdio.

O periódico La Tercera realizou um processo de checagem e confirmou a veracidade do áudio ainda na segunda-feira. Nesta terça (22), o Palácio de la Moneda veio a público “contextualizar” a mensagem. “Efetivamente esse áudio é real. É uma conversa da primeira-dama com um grupo de amigas em que ela manifesta o que creio que todos os chilenos sentimos, que é a angústia, a frustração, o desespero pelo que estamos vendo e vivendo”, disse a porta-voz do governo, Cecilia Pérez. “Quando ela diz que tem que deixar certos privilégios, é justamente escutar a voz dos chilenos”, completou.

O Chile chegou nesta terça-feira ao seu segundo dia de greve geral em meio a intensas manifestações que acontecem no país desde a noite da última sexta-feira (18). Os atos foram convocados inicialmente em razão do aumento nas passagens do metrô, mas ganharam novos contornos após a dura repressão que tem sido empreendida por Piñera. Apesar do recuo no aumento das passagens, a força policial tem avançado vigorosamente e o presidente chegou a classificar a situação do país como uma “guerra”.

Escute o aúdio:

 

 

 


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