sábado, 24 out 2020
Publicidade

Em Miami, Trump adota alarmismo bolsonarista: “EUA também podem se transformar numa Venezuela”

Em campanha para sua reeleição, mandatário estadunidense fez campanha com comunidade latina da Flórida, e acusou Biden e Obama de serem “amigos do regime de Maduro”

A campanha para reeleição de Donald Trump passou a adotar um discurso mais alarmista nos últimos dias, e isso ficou bem evidente nesta sexta-feira (25), no encontro do presidente estadunidense com membros da comunidade latina de Miami.

Com conceitos que se lembram muito os argumentos dos setores bolsonaristas e de outros movimentos de direita na América do Sul (Colômbia, Chile e Argentina, por exemplo), o presidente disse várias vezes que “Os Estados Unidos também podem virar uma Venezuela”.

“Eu já venho falando isso há dois anos, e creio que é algo que realmente pode acontecer”, enfatizou o presidente, durante o evento “Latinos for Trump” – no qual, curiosamente, não se abordou temas como sua política de ódio aos imigrantes, especialmente latinos, e tampouco o do muro com o México, segundo meios locais.

Trump também aproveitou o encontro para acusar seu antecessor, Barack Obama, e seu rival eleitoral, Joe Biden – que foi vice de Obama, entre 2009 e 2017 –, de serem “amigos do regime de Nicolás Maduro”.

“Durante o último governo do Partido Democrata, ambos se reuniram com Maduro, há foto dos dois apertando as mãos do ditador”, lembra o atual presidente.

Esta é uma meia verdade. Obama nunca teve um encontro oficial com Nicolás Maduro, embora tenham se cruzado eventualmente em eventos que reúnem chefes de Estado, e trocado apertos de mão protocolares. Porém, o ex-presidente estadunidense teve sim uma reunião bilateral com o antecessor de Maduro, Hugo Chávez, durante a Cúpula das Américas de 2009, em Trinidad e Tobago – na ocasião, o mandatário venezuelano lhe presenteou com um livro, uma versão em inglês de “As Veias Abertas da América Latina”, do escritor uruguaio Eduardo Galeano.

Já Biden teve um único encontro bilateral com Maduro, e foi no Brasil: no dia 1º de janeiro de 2015, após cerimônia que marcava o início do segundo mandato de Dilma Rousseff.

Entretanto, nem no encontro de Obama com Chávez, e tampouco no de Biden com Maduro, se realizou qualquer tipo de acordo entre os Estados Unidos e a Venezuela. Portanto, não se pode dizer, pelas simples fotos, que houve qualquer tipo de aproximação entre democratas e chavistas.

Victor Farinelli
Victor Farinelli
Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos, há 15 anos é correspondente na Argentina (2004 e 2005) e no Chile (desde 2006).