Fórumcast, o podcast da Fórum
19 de setembro de 2019, 09h01

Em oposição a Bolsonaro, Parlamento Europeu indica Raoni e Marielle para prêmio de Direitos Humanos

A distinção já foi concedida para personalidades como Nelson Mandela, Aung San Suu Kyi, Mães da Praza de Maio e Malala

Foto: PSOL

A aliança Socialistas e Democratas no Parlamento Europeu (conhecida pela sigla S&D), que reúne hoje mais de 150 deputados e é um dos maiores blocos de deputados no Parlamento Europeu, indicou os nomes de Raoni, Marielle Franco e Claudelice Silva dos Santos para receber o prêmio Sakharov, a principal homenagem de direitos humanos da UE. A eleição ocorre pelo legislativo europeu em outubro.

A distinção já foi concedida para personalidades como Nelson Mandela, Aung San Suu Kyi, Mães da Praza de Maio e Malala, além da oposição venezuelana e dissidentes cubanos anti-castristas.

INSCREVA-SE para receber conteúdos exclusivos da entrevista do Rovai com o presidente Lula

Segundo o grupo, os indicados “representam vozes a favor dos direitos humanos e da proteção do ambiente”.

O cacique Raoni, que voltou a percorrer a Europa por apoio e foi nomeado com um dos candidatos ao prêmio Nobel de 2019, foi indicado por suas “quatro décadas de cruzadas para salvar a sua pátria, a floresta amazônica”. “Ele é um símbolo vivo da “luta pela vida” das tribos, uma luta para proteger sua cultura única, que está diretamente ligada à própria natureza”, disseram os deputados.

Outra indicada é Claudelice Silva dos Santos, ambientalista e defensora dos direitos humanos. “Ela se tornou uma ativista após o assassinato de seu irmão e cunhada, que foram mortos por seus esforços para combater o desmatamento ilegal e o desmatamento na floresta amazônica brasileira”, explicaram os europeus.

De forma póstuma, Marielle Franco também concorre. Os deputados lembram que, como “política brasileira abertamente gay, feminista e ativista de direitos humanos”, ela foi “uma crítica da brutalidade policial e das execuções extrajudiciais”. Marielle foi executada em março de 2018.

Entre os deputados, não se esconde que a meta das nomeações é também a de denunciar a atual política do governo Bolsonaro. “Durante anos, o Brasil tem sido um dos países mais perigosos das Américas para os defensores dos direitos humanos e, como revelou a Global Witness, também o mais arriscado do mundo para os defensores dos direitos humanos relacionados à terra ou ao meio ambiente”, disse Kati Piri, vice-presidente de S&D.

“A luta desses indicados do Brasil merece ser destacada, pois representam a causa dos defensores ambientalistas e ativistas LGBTI em todo o mundo. Embora os povos indígenas representem menos de 1% da população brasileira, um número desproporcional está sendo morto em conflitos de terra”, declarou.

“Desde que o novo regime tomou posse, em janeiro, o governo Bolsonaro estabeleceu um clima de medo para vários defensores dos direitos humanos, adotando medidas que ameaçam os direitos à vida, à saúde, à liberdade, à terra e ao território dos brasileiros”, alertou.

Com informações da coluna de Jamil Chade


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum