Fórumcast #20
13 de agosto de 2019, 10h31

Empresa acusada de ligação com clã Bolsonaro fechou acordo ilegal de energia com o Paraguai

Alexandre Luiz Giordano, suplente do senador Major Olímpio, foi quem comandou as negociações. O plano era revender a energia mais cara no Brasil e dividir o lucro com a estatal do Paraguai

Giordano e Major Olímpio (Arquivo)

Novos documentos divulgados pela imprensa paraguaia nesta terça-feira (13) provam que a empresa Léros Comercializadora, que seria ligada à família Bolsonaro, de fato propôs uma oferta ilegal de compra de energia para a Administração Nacional de Eletricidade (Ande), estatal paraguaia que negocia os excedentes da Usina de Itaipu. Os planos eram revender essa energia mais caro no Brasil e dividir o lucro com a estatal. De acordo com o Itamaraty, o trâmite é ilegal e o acordo foi desfeito.

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Para negociar o acordo, executivos brasileiros viajavam ao Paraguay em voos privados desde abril deste ano, segundo apurações do jornal paraguaio ABC Color. Alexandre Luiz Giordano, suplente do senador Major Olímpio, foi quem comandou as negociações, mas sempre ia acompanhado de outros executivos.

O intermediário e “representante” do governo paraguaio era Joselo Rodríguez, que sempre se apresentava como assessor jurídico do vice-presidente Hugo Velázquez. Mensagens de Whatsapp provam que imediatamente depois de Joselo Rodríguez se comunicar com Hugo Velázquez, o vice-presidente mandavam mensagem ao ex-diretor da Ande, Pedro Ferreira, para pressioná-lo com relação à venda de energia da estatal.

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Do dia 9 de abril em diante, pelo menos até 25 de junho, foram ao Paraguay o suplente do Major Olímpio (PSL), Alexandre Luiz Giordano, o diretor da Léros, Adriano Tadeu Deguirmendjian Rosa, o advogado Cyro Dias Lage Net e um outro passageiro chamado Bruno Emannuel Silva Nascimento.

De acordo com documentos divulgados pelo jornal paraguaio ABC Color, a proposta foi realizada no dia 27 de julho deste ano e teve assinatura de Kleber Ferreira, diretor-executivo da Léros. No documento são ofertados à estatal paraguaia 31.50 dólares por MWh. Ainda, a proposta sugeria que o Brasil pagasse 30% da energia no dia de recebimento. Os demais 70%, depois de 8 dias úteis do primeiro pagamento.

Documento assinado pela Léros que comprova as intenções do acordo de compra e venda de energia paraguaia. (Foto: ABC Color)

Essa estratégia seguiria durante os 3 primeiros meses, para depois passar para o pagamento integral. Em seguida, o texto elucida a questão da divisão dos lucros: “Quando a empresa compradora (Léros) vende a energia a um terceiro por um valor superior de US$ 35,00/MWh, a metade dessa diferença se divide em duas partes iguais. Ande ficaria com 50% e Léros com os outros 50%”.

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