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05 de novembro de 2019, 12h24

Empresas de previdência privada do Chile acumulam lucro de R$ 2 bilhões em 2019, um aumento de 70%

Modelo que Paulo Guedes quer impor ao Brasil é gerido pelas Administradoras de Fundos Previdenciários (AFPs). Ligadas a grandes bancos, as AFPs alteraram seu sistema antes dos protestos no Chile para transformar faturamento bruto em mais lucro líquido

Protestos no Chile contra a previdência que Paulo Guedes e Bolsonaro querem impor no Brasil (Montagem)

Direto do Chile, especial para a Fórum

O sistema previdenciário de capitalização individual realmente garante maior rendimento. Para os seus donos. Apesar de entregar aposentadorias que chegam a ser até 60% menores ao salário integral do contribuinte (segundo dados do instituto CENDA), outro fator que o torna um sistema tão repudiado pelos chilenos é que, ao mesmo tempo, ele gera lucros exorbitantes para as empresas do setor.

Nesta segunda-feira (4), a Comissão sobre o Mercado Financeiro (CMF) do Chile recebeu um informe mostrando que essas empresas registraram um lucro líquido de 551 milhões de dólares durante os meses de janeiro e setembro deste ano. O valor representa um aumento de 70% nas utilidades, em comparação ao mesmo período em 2018.

No entanto, o faturamento bruto dessas empresas foi de 849 milhões de dólares (cerca de 3,4 bilhões de reais), equivalentes a um aumento bem menor: apenas 12,55%. Ou seja, nos nove meses anteriores à convulsão social iniciada em outubro, as administradoras de fundo previdenciários (as AFP, como são conhecidas no Chile) alteraram seu sistema para poder transformar faturamento bruto em mais lucro líquido, tornando o negócio das aposentadorias mais vantajoso para os donos, e mais injusto para os clientes.

As AFP são empresas privadas criadas no Chile nos Anos 80 pelo economista José Piñera, irmão do atual presidente Sebastián Piñera e ministro do Trabalho durante a ditadura de Augusto Pinochet. O primogênito dos Piñera acabou com um modelo de repartição que existia no Chile (e que era similar ao modelo que ainda existe no Brasil), para implantar um sistema onde essas empresas privadas administram fundos de capitalização individual. Todas as empresas AFP que atuam no Chile estão ligadas a grandes bancos e empresas financeiras internacionais.

Atualmente, essas empresas e esse modelo são o problema socioeconômico mais grave que existe no país, e uma das principais razões que desencadearam a convulsão social no Chile nas últimas semanas. Apesar de o estopim da atual crise ter sido o preço das passagens do metrô de Santiago, quando os protestos absorveram outras demandas, a indignação com o sistema previdenciário logo subiu no topo da lista: 91% das pessoas acha que o modelo previdenciário chileno é um problema prioritário para o país, enquanto somente 62% disseram o mesmo sobre o transporte público.

A Fórum também realizou um ForumCast sobre como funciona o sistema previdenciário chileno, abordando aspectos mais profundos das suas inconsistências.

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