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04 de novembro de 2019, 19h54

Espanha: Intransigência de Pedro Sánchez ressuscita PP e torna extrema direita a terceira força política

Para o jornalista Rogério Tomaz Jr., após as eleições, o Podemos recebeu uma oferta vergonhosa de Pedro Sánchez: dois ministérios, em um governo com 20 pastas, o que inviabilizou um acordo

Pedro Sánchez - Foto: PSOE

Por Rogério Tomaz Jr.*

A Espanha deveria estar prestes a completar seis meses de um governo de esquerda, com o tradicional Partido Socialista Obreiro Espanhol (PSOE) no comando e o Unidas Podemos – nascido três anos após os protestos dos “Indignados” de 2011 – fazendo um trabalho de base, disputando a hegemonia conservadora ainda reinante na Espanha, com alguns ministérios da área social.

A realidade está bem distante disso, entretanto. No próximo domingo (10), o eleitorado espanhol vai às urnas pela terceira vez no ano. Em abril ocorreram eleições do novo Congresso, que resultaram em vitória consagradora ao PSOE de Pedro Sánchez, que está à frente do governo desde junho de 2018, após a queda do conservador Mariano Rajoy (PP). E em maio foram realizadas as eleições regionais e do Parlamento Europeu.

No intervalo entre a primavera e outono, a extrema direita representada pelo Vox avançou e pode se tornar a terceira força política no país, segundo a última pesquisa realizada pela consultoria GAD3 para o jornal ABC. Outra pesquisa, feita pela agência Sigma Dos para o El Mundo, confirma o crescimento do Vox, mas o coloca em empate técnico com o Unidas Podemos [ver números completos abaixo].

O conservador Partido Popular, que na eleição de abril perdeu 71 das 134 cadeiras que possuía na Câmara, deverá ter uma forte recuperação e se aproximar das 100 vagas.

Intransigência e veto do PSOE

O período de negociações que se seguiu ao pleito de abril demonstrou uma intransigência do PSOE. Embora tenha eleito um quarto da bancada do PSOE, o Podemos recebeu uma oferta vergonhosa de Pedro Sánchez: dois ministérios – num governo com vinte pastas – sem orçamento significativo e sem capacidade de promover qualquer política pública de peso. “O lógico seria que o Podemos recebesse cinco ministérios e pelo menos um destes com importância política e estrutura de peso”, comentou à época um analista político vinculado ao Podemos.

Após muitas reuniões para tentar melhorar o acordo e duras declarações públicas, a oferta foi aceita. Aí veio o choque: o PSOE vetou o nome de Pablo Iglesias, secretário-geral do Podemos, para integrar um dos ministérios que o jovem partido comandaria no governo de coalizão.

As negociações foram praticamente encerradas com esse gesto e a resposta de Irene Montero, deputada, uma das principais dirigentes do Podemos e companheira de Iglesias, resumiu o sentimento do partido. “O veto a Iglesias é um veto que se estende ao Unidas Podemos”, sintetizou Montero, em julho, em entrevista à emissora de rádio Cadena Ser.

Em setembro, diante da impossibilidade de formação do governo, novas eleições foram convocadas.

Números

Na pesquisa da GAD3/ABS, o PSOE alcança 27,4% das intenções de voto, o que lhe garantiria uma bancada de 120 a 123 cadeiras na Câmara, composta por 350 membros. O Partido Popular teria 21,6%, o que lhe valeria entre 92 e 95 vagas. O Vox aparece com 14,9%, suficiente para conquistar uma expressiva bancada de 49 deputados. O Unidas Podemos chegaria a 11,2%, o que lhe daria de 28 a 31 vagas. O Cidadãos teria apenas 8% e 15 deputados.

Já na pesquisa Sigma Dos/El Mundo o PSOE figura com 27,9% dos votos, podendo chegar a ter entre 118 e 126 deputados. O PP abocanharia 20,3% do eleitorado, número para alcançar 89 a 97 cadeiras. O Podemos teria 13,5% e de 35 a 40 vagas, enquanto o Vox conquistaria 13,2% dos votos e um grupo parlamentar de 39 a 44 integrantes. O Cidadãos chegaria a 8,9% e teria de 16 a 19 cadeiras na Câmara.

*Rogério Tomaz Jr. é jornalista e acompanhou na Espanha as eleições para o Parlamento Europeu em maio passado.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.

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