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03 de junho de 2019, 14h54

Estados Unidos chantageiam para tentar proibir empresas europeias de fabricarem armamentos

Segundo documentação obtida pelo diário espanhol El País, o governo de Donald Trump chegou ao ponto de ameaçar com “abandonar” a Europa e deixá-la à mercês das ameaças da Rússia, caso não siga suas recomendações

Foto: Arquivo

Nas últimas semanas, o governo dos Estados Unidos vem aumentando a pressão sobre seus sócios europeus para que o continente reveja as diretrizes da sua política de defesa, de forma a adaptá-la melhor aos interesses do seu país.

Entre outras coisas, a Casa Branca exige participar nos projetos que envolva a compra e desenvolvimento de armamento, enquanto Bruxelas tenta resistir a essa opção, com o temor de que seus países possam ser prejudicados pelas principais leis norte-americanas de exportação de material militar.

Segundo documentação obtida pelo diário espanhol El País, o governo de Donald Trump chegou ao ponto de ameaçar com “abandonar” a Europa e deixá-la à mercês das ameaças da Rússia, caso não siga suas recomendações.

“Quando ocorrer uma crise e se suas defesas fracassarem, sua população não ficará muito impressionada pelo fato de que o armamento adquirido foi somente dos países europeus”, teria advertido Michael Murphy, principal assessor de Trump para assuntos ligados à Europa, durante um explosivo encontro entre representantes das duas partes, que teria ocorrido em Washington, no dia 22 de maio, segundo os documentos acessados pelo diário espanhol.

Até o momento, a resposta de Bruxelas seria a de fazer as alterações paulatinamente. No último trimestre de 2018, a União Europeia apresentou o rascunho de um projeto para flexibilizar as normas e facilitar a participação de outros países na fabricação de armamentos utilizados no continente. Contudo, neste início de 2019, o texto voltou a endurecer as regras, e foram introduzidas as cláusulas que desagradaram Murphy teria chamado e a administração estadunidenses. Desde então, as ameaças de Washington a respeito passam por represálias que incluiriam a restrição do acesso das empresas europeias ao seu mercado militar, entre outras.

Com informações do El País.


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