Estudantes brasileiras denunciam xenofobia e misoginia em universidade de Portugal

"Brasileiras eram um regalo para os olhos. Agora são uma cambada de feministas", diz um dos ataques, publicado em perfil no Instagram

O coletivo português Quarentena Académica denunciou nas redes sociais, no domingo (25), diversos ataques xenofóbicos e misóginos que estão sendo feitos contra estudantes brasileiros da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, em Portugal. De acordo com o grupo, ataques partem tanto de estudantes quanto de professores.

Comentários preconceituosos contra os estrangeiros estão ocorrendo desde o início deste ano, segundo o coletivo. Contudo, ataques teriam aumentado com a pandemia, especialmente nas redes sociais. “Estas denúncias já têm vindo a acontecer há algum tempo. No entanto, como nunca há consequências depois dessas queixas há um sentimento generalizado nestes estudantes de que não vale a pena denunciar”, diz Ana Isabel Silva, dirigente da Quarentena Acadêmica, em entrevista à Fórum.

A maior parte das denúncias referem-se ao perfil no Instagram “Confissões FEUP”, que trazia diversos comentários xenofóbicos e misóginos sobre estudantes brasileiras. Com as denúncias, a página foi derrubada. “Era uma página onde as pessoas anonimamente deixavam ‘confissões’, muitas delas xenófobas e racistas”, conta Ana Isabel. “No entanto, há ainda outro problema por cima deste que são os ataques machistas feitas às estudantes brasileiras que são completamente objetificadas e é-lhes retirado qualquer valor intelectual. Infelizmente esta página não é única”, completa.

“Eu virei gay depois de estar com uma brasileira”, diz uma das publicações. “Antes, as brasileiras da FEUP eram um regalo para os olhos. Agora são uma cambada de feministas que querem pénis português e não admitem”, afirma outro.

A dirigente do Quarentena Académica conta ainda que uma charge também foi produzida contra os estudantes brasileiros. Nela, há o desenho do coronavírus com a bandeira brasileira, enquanto estudantes são representados como macacos. “Isto para espalhar a ideia de que os brasileiros são os responsáveis pela propagação do vírus”, relata.

O reitor da Universidade do Porto, António Sousa Pereira, pronunciou-se sobre o caso no dia 19 de outubro em “mensagem à comunidade acadêmica”. De acordo com a nota, “quaisquer atitudes de xenofobia, racismo, machismo ou discriminação, ou atitudes difamatórias e atentatórias do bom nome e da dignidade individual”.

“Apelamos a todos os docentes, estudantes e trabalhadores não docentes para que honrem o carácter superior da nossa instituição, seja no domínio académico e científico, seja nos planos ético, moral, social e da própria linguagem com que comunicamos”, afirma o comunicado.

Segundo informações do portal português CM Jornal, a universidade também avalia abrir processos disciplinares contra os responsáveis pelos ataques e pede que as vítimas apresentem queixa formal. Até então, no entanto, nenhum inquérito ou processo disciplinar foi aberto.

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Luisa Fragão

Jornalista.