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12 de fevereiro de 2020, 14h34

EUA e Alemanha espionaram a correspondência militar e diplomática de mais de 120 países durante meio século

A prática afetou igualmente a adversários e aliados dos dois países, e foi realizada a partir do rastreamento de informações do serviço da empresa suíça de encriptação de códigos Crypto AG. Brasil estaria entre os espionados.

Sede da empresa Crypto, na Suíça (foto: divulgação

A CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) espionou a correspondência militar e diplomática de mais de 120 países, durante ao menos 54 anos, através dos serviços de uma empresa de codificação de mensagens chamada Crypto AG, com sede na cidade de Zug, na Suíça.

Uma investigação do jornalista Peter Müller, do canal alemão ZDF, mostrou cerca de 280 páginas de arquivos da Crypto AG, e afirmou ter comprovado a autenticidade dos documentos que comprovam o envolvimento tanto da CIA quando do BND (sigla do Serviço de Inteligência Federal da Alemanha, em idioma local) no caso.

Segundo a reportagem, os Estados Unidos começaram a contar com os serviços da Crypto AG, para criptografar suas mensagens secretas, assim como muitos outros países. Porém, foi a partir de 1958 que a CIA passou a gerenciar as atividades da empresa suíça, através da Minerva, uma companhia fictícia com sede em Liechtenstein.

Na prática, através da Minerva, a CIA passou a ser a dona secreta da Crypto AG, e a controlar suas atividades de acordo com seus interesses, segundo conta a reportagem alemã. Em 1961, o BDN passou a ser “sócio” da CIA na Minerva, também segundo a matéria.

A partir de então, os dispositivos codificados pela Crypto AG, secretamente manipulados, que se utilizavam para transmitir correspondência classificada durante conflitos bélicos, e também informação confidencial entre as embaixadas e seus governos, passaram a ser rastreados pelos serviços de inteligência estadunidense e alemão.

De acordo com a reportagem, cerca de 120 países que usavam o serviço da Crypto AG foram espionados, incluindo Egito, Irã, Arábia Saudita, Líbia e Argentina, fossem eles aliados ou inimigos dos espiões, em um mecanismo que funcionou ao menos até 2012.

Embora o Brasil não esteja citado na matéria da ZDF, a página Extreme Tech, especializada em notícias sobre tecnologia, repercutiu a matéria e incluiu o país na lista de clientes da Crypto AG que foram espionados.

Entre as exceções estavam a União Soviética (e depois a Rússia) e a China, que jamais contrataram os serviços da empresa suíça.

Depois de difundida a reportagem de Müller, o site da empresa Crypto International – que foi criada a partir da venda da Crypto AG, em 2018 – soltou um comunicado dizendo que a empresa atual não é responsável pelas atividades da Crypto AG no passado distante, e que não mantém nenhum tipo de atividade com os serviços de inteligência dos Estados Unidos e da Alemanha.


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