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18 de fevereiro de 2020, 12h07

EUA monitoraram ditadura militar no Brasil através de empresa de fachada

A Crypto AG, empresa suíça que prestou serviço de codificação da correspondência diplomática e militar do Brasil e de outras ditaduras da Operação Condor durante 50 anos, era controlada secretamente pela CIA.

Na semana passada, o jornalista Peter Müller, do canal alemão ZDF, iniciou a publicação de uma série de reportagens mostrando que a empresa suíça Crypto AG, responsável pela codificação de correspondência secreta de mais de 120 países, era na verdade controlada pela CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados). A matéria foi reproduzida em vários países, e a Revista Fórum foi a primeira a repercutir no Brasil.

Nesta terça (18), em outra reportagem da série, Müller revelou que entre os governos espionados através do esquema estavam todas as ditaduras que formaram parte da Operação Condor, incluindo a do Brasil.

Para se entender melhor o esquema: a Crypto AG era uma empresa que prestava serviços para muitíssimos países do mundo, e seu sistema de codificação era considerado o mais seguro para enviar informações secretas entre governo, embaixadas e comandos militares. O que ninguém sabia era que a verdadeira dona da Crypto AG a Minerva, empresa de fachada com sede em Liechtenstein. E tampouco sabiam que, desde 198, a dona da Minerva era a CIA – e O BDN, serviço secreto alemão, que passou a ser sócio da Minerva em 1961.

Assim, inteligência estadunidense monitorou ativamente os países da América Latina, antes, durante e depois das ditaduras da Operação Condor.

Através desse monitoramento, os Estados Unidos tinham informação privilegiadíssima sobre as atrocidades cometidas entre as ditaduras, às vezes até conjuntamente. Afinal, a Operação Condor era uma aliança militar e política entre as ditaduras sul-americanas, para realizar operações em conjunto, como a prisão e desaparecimento de opositores que tentavam fugir entre um país e outro, e até mesmo crimes mais complexos, como o assassinato do ex-presidente brasileiro João Goulart, em dezembro de 1976, que contou com o apoio das ditaduras da Argentina e do Uruguai.

O conhecimento dos Estados Unidos sobre a Operação Condor não é uma novidade. Várias outras reportagens sobre o tema já foram divulgadas, e em abril de 2019, Washington chegou inclusive a enviar à Argentina uma série de documentos desclassificados sobre o terrorismo de Estado no país, e sua colaboração com os vizinhos, incluindo o Brasil. O governo de Mauricio Macri, porém, manteve esses documentos em sigilo.

Tampouco há informação sobre medidas tomadas pelas autoridades estadunidenses para acabar com as violações aos direitos humanos, que, como essas recentes reportagens comprovam, os Estados Unidos sabiam que estavam sendo cometidas em vários países da América do Sul, durante a Operação Condor.


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