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24 de novembro de 2019, 11h32

Evo Morales não descarta trocar asilo no México pela Argentina, caso Alberto Fernández proponha

Em entrevista ao diário Página/12, o ex-presidente boliviano disse: "Sabe por que renunciamos eu e meu irmão García Linera? Porque eles capturaram meus irmãos dirigentes, militantes, governadores dos departamentos, prefeitos e disseram que queimariam suas casas se eu não renunciasse ao meu cargo"

Evo Morales - Foto: Reprodução/Twitter

Em entrevista para o jornalista argentino Martín Granovsky, do diário Página/12, o ex-presidente boliviano Evo Morales, vítima de um golpe de Estado no dia 10 de novembro, falou dos seus planos para tentar retomar a normalidade democrática na Bolívia, além de afirmar que pode mudar de país.

Ao ser indagado sobre a hipótese de trocar o asilo político no México pela Argentina, caso o presidente eleito Alberto Fernández o proponha após assumir o cargo, Evo respondeu: “Não descarto (aceitar asilo na Argentina). Quero estar mais perto da Bolívia. Os irmãos Alberto e Cristina sempre me ajudaram. Nunca me abandonaram e tampouco o vão fazer neste difícil momento da Bolívia, com tantos mortos e feridos. A forma de sair desse problema é através da cooperação”, afirmou.

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Mesmo no México, Evo assegurou que vai “fazer todo o possível para pacificar a Bolívia. Renunciei à minha candidatura, embora esteja habilitado para me candidatar à presidência. Não estou reclamando. Só estou renunciando para que não haja mais mortes e agressões”, disse.

Motivos

O ex-presidente também contou o cenário no qual aceitou a renúncia no dia 10 de novembro. “Sabe por que renunciamos eu e meu irmão García Linera? Porque eles capturaram meus irmãos dirigentes, militantes, governadores dos departamentos, prefeitos e disseram que queimariam suas casas se eu não renunciasse ao meu cargo. Sequestraram o irmão do presidente da Câmara dos Deputados (Víctor Borda) e lhe disseram: ‘Se você não renunciar, vamos queimar você na praça’. Incendiaram a casa da minha irmã, em Oruro. Do racismo ao fascismo e do fascismo ao golpismo. Isso foi o que aconteceu na Bolívia”, relatou o líder indígena.

Ele também contou que a viagem à Argentina, para a posse de Alberto Fernández, no dia 10 de dezembro, poderá ser uma oportunidade para se reaproximar do seu país: “Seria um orgulho e uma honra acompanhar a posse. Vamos consultar os companheiros. A Argentina está mais perto da Bolívia e poderia aproveitar para agradecer, outra vez, a grande solidariedade do irmão Alberto Fernández. Foi um dos que salvaram a minha vida, a de Álvaro (García Linera, vice-presidente deposto), e da equipe que me acompanhava no domingo, 10 de novembro”.


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