Evo Morales reage a resolução da União Europeia que pede libertação de ex-ditadora da Bolívia: “Cumplicidade no golpe”

"O povo boliviano tem memória e dignidade", disse o ex-presidente

Evo Morales, ex-presidente da Bolívia derrubado pelo golpe de 2019 e atual presidente do partido Movimento ao Socialismo, usou as redes sociais nesta quinta-feira (29) para criticar a resolução do Parlamento Europeu que pede a libertação da ex-ditadora Jeanine Áñez e ministros golpistas, presos preventivamente durante as investigações sobre o processo golpista, que resultou em dois massacres indígenas e ao menos 35 mortes.

Em resolução aprovada por margem estreita na quarta-feira, o Parlamento “denuncia e condena a detenção arbitrária e ilegal da ex-presidenta interina Áñez, dois de seus ministros e outros presos políticos; apela às autoridades bolivianas para que os libertem imediatamente e retirem as acusações por motivos políticos contra eles; apela a um quadro de justiça transparente e imparcial, sem pressões políticas, e insta as autoridades a prestarem toda a assistência médica necessária para garantir o seu bem-estar”.

Assim como fez a Organização dos Estados Americano (OEA), o Parlamento Europeu colocou em dúvida o sistema judicial boliviano e pede reformas judiciais. A OEA foi uma das artífices do golpe que derrubou Morales e alçou Áñez ao poder como apoio de milícias, do Exército e da Polícia Nacional.

Jeanine Áñez é acusada de crimes de sublevação, terrorismo e de ordenar ao Exército que cometesse os massacres de Senkata e Sacaba, que deixou um saldo de 36 mortos após o golpe.

Segundo informações da Swiss Info, a resolução teve uma aprovação mais apertada do que costuma ser em temas internacionais. O texto aprovado foi impulsionado por conservadores e por liberais e rechaçado pela esquerda e pelos verdes.

Morales protestou contra a declaração. “A extrema-direita do Parlamento Europeu confirma com a sua resolução a cumplicidade no golpe e, em uma clara atitude intervencionista, apela à impunidade e ao esquecimento das mortes de Sacaba e Senkata”, disse.

“O povo boliviano tem memória e dignidade. A justiça deve cumprir um papel constitucional”, completou.

Confira aqui a resolução da União Europeia

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Lucas Rocha

Lucas Rocha é formado em jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ e cursa mestrado em Políticas Públicas na FLACSO Brasil. Carioca, apaixonado por carnaval e latino-americanista convicto, é repórter da sucursal do Rio de Janeiro da Revista Fórum e apresentador do programa Fórum América Latina