Entrevista exclusiva com Lula
28 de outubro de 2019, 17h23

Exclusivo: Piñera mantém ministros mais questionados e frustra expectativas sobre agenda social prometida

Presidente chileno recoloca boa parte dos “renunciados” em outras pastas e mantém cinco dos seus ministros mais questionados: os da Defesa, Saúde, Educação, Transportes e Ministério da Mulher

Sebastián Piñera - Foto: Sérgio Cruz/Agência Brasil

Por Victor Farinelli, do Chile, especial para a Revista Fórum

A melhor palavra para definir a reforma ministerial do presidente chileno, Sebastián Piñera, é “frustração”. No sábado (26), após anunciar que pediu a renúncia de todos os seus ministros, o presidente assegurou que montaria uma nova equipe para impulsar a agenda social que prometeu durante a semana, como resposta às multitudinárias mobilizações que o país vem vivenciando desde o dia 18.

Porém, o novo gabinete apresentado nesta segunda-feira (28) joga por terra as expectativas de mudanças profundas no rumo das políticas do governo. Para começar, boa parte dos ministros “renunciados” apenas trocaram de cargo, e se mantiveram no ministério. Essa “dança das cadeiras” se verificou principalmente nos ministérios da área política, como o Ministério do Interior, mais importante do país, onde Andrés Chadwick (primo de Piñera) saiu para a chegada de Gonzalo Blumel, que era Secretário Geral da Presidência – cargo que foi assumido por Felipe Ward, que era ministro de Bens Nacionais até sábado.

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A nova ministra porta-voz é Karla Rubilar, que era intendente da Região Metropolitana de Santiago (como uma governadora, mas designada, já que o Chile não é um país federal), e substitui Cecilia Pérez, que passou para o Ministério dos Esportes.

Mas o mais chamativo do anúncio foi a quantidade de ministros que se mantiveram em seus cargos: sete, incluindo cinco dos mais questionados. Os casos mais polêmicos são:

  • Alberto Espina – continua como ministro de Defesa, apesar de ser um dos responsáveis pela ação repressiva das Forças Armadas e as violações aos direitos humanos que serão avaliadas por observadores da ONU esta semana.
  • Jaime Mañalich – sempre foi questionado como ministro da Saúde, acusado de ter o cargo apenas por ser o médico particular da família Piñera, e se esperava que uma agenda com prioridade em temas sociais trouxesse alguém com mais capacidades para o cargo.
  • Marcela Cubillos – outra ministra da área social, e com péssima popularidade, sua política vem tentando desmantelar o processo de gratuidade na educação iniciado por Bachelet em 2015, se salvou de um processo de destituição no Legislativo, em setembro, graças à boa articulação governista, mas sua salvação foi mal recebida pela opinião pública.
  • Gloria Hutt – mantida no Ministério dos Transportes e Telecomunicações, pasta de onde surgiu o aumento das tarifas do metrô, que foi o estopim da revolta, razão pela qual sua saída era tida como certa.
  • Isabel Plá – sua postura antifeminista no Ministério da Mulher sempre incomodou. Ela já havia sobrevivido a tentativas de desmerecer a Marcha das Mulheres do dia 8 de março deste ano. Agora, consegue se manter no poder apesar de ter dito que “não há denúncias de abusos sexuais por parte das forças de manutenção da ordem”, durante o Estado de exceção, ignorando as dezenas de casos registrados pelo INDH (Instituto Nacional de Direitos Humanos do Chile), que são de conhecimento público.

As únicas mudanças realmente relevantes são nos ministérios econômicos: Felipe Larraín deixou o Ministério da Fazenda, que agora será comandado por Ignacio Briones, e Juan Andrés Fontaine abandona o Ministério da Economia, que passa a ser responsabilidade de Lucas Palacios. O Ministério do Trabalho também está sob nova direção: saiu Nicolás Monckeberg e assumiu María José Zaldívar.

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