“Fator Bolsonaro” faz Parlamento holandês reprovar acordo entre Mercosul e União Europeia

Bancadas governista e opositora votaram juntas contra a proposta. Entre as principais justificativas está a rejeição à postura de Jair Bolsonaro sobre direitos humanos e o descaso do seu governo com desmatamento na Amazônia

O Parlamento da Holanda rechaçou de forma quase unânime o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, em votação realizada na noite de quarta-feira (3).

O resultado foi fruto de uma moção baseada em um parecer técnico que recomendava o voto contrário ao acordo, e que recebeu apoio tanto da bancada governista quanto da oposição, apesar do aparente apoio do primeiro-ministro Mark Rutte (liberal) à proposta.

O pacto de livre-comércio entre os dois blocos comerciais foi assinado há quase um ano, no dia 28 de junho de 2019, e chegou a ser anunciado como uma façanha pelo presidente brasileiro Jair Bolsonaro e o então presidente da Argentina, Mauricio Macri – que não conseguiu sua reeleição, meses depois.

Porém, para se tornar plenamente vigente, ele precisa ser aprovado pelos parlamentos de todos os Estados-membros de ambos os blocos. Desde então, vários países defenderam uma postura de votar contra a proposta devido aos problemas do Brasil durante o governo de Jair Bolsonaro, como a postura do presidente com relação aos direitos humanos e o descaso do seu governo com a ampliação do desmatamento na Amazônia.

A Holanda não é uma exceção a essa tendência, segundo explicou a deputada Esther Ouwehand, do Partido Verde. “Pela primeira vez, o Parlamento aprovou uma posição clara e contrária a um acordo comercial apoiado pelo governo. É uma grande vitória para a Amazônia e para a agricultura regional sustentável”, disse a parlamentar.

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Direto da Redação da Revista Fórum.

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