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21 de fevereiro de 2020, 20h02

Filha de torturador argentino é contra benefício carcerário ao seu pai: “é um genocida”

“Meu pai nunca se arrependeu dos crimes, e se estivesse livre hoje, não duvidaria em me sequestrar, me levar a um centro clandestino e me torturar com choques elétricos”, afirmou a Analía Kalinec, diante do tribunal.

A professora Analía Kalinec (foto: El Destape)

“O livre trânsito de genocidas pelas ruas é intolerável para a sociedade, e isso é o que os juízes devem ver, que é intolerável que ele saia da prisão”. Quem deu essa declaração foi Analía Kalinec, filha de Eduardo Kalinec, um ex-agente da ditadura argentina, preso por delitos de lesa humanidade.

Em 2005, Kalinec foi sentenciado a prisão perpétua, por sua participação nos crimes de tortura, assassinato e desaparição de cadáveres de opositores da última ditadura argentina (entre 1976 e 1983). No entanto, nos próximos dias, o repressor poderá receber o benefício de saídas da prisão durante o fim de semana.

O pedido foi feito por seu advogado, alegando bom comportamento do réu em prisão, o que será avaliado pela Câmara de Cassação Penal de Buenos Aires.

O coletivo Histórias Desobedientes, que ajuda a parentes de genocidas da ditadura se afastaram de suas famílias, pediu para apresentar testemunhos no caso de Kalinec, conhecido pela imprensa local como “Doutor K”.

A pessoa escolhida para representar a entidade foi Analía Kalinec, uma professora de escola pública que é filha do réu, e pode ser a testemunha decisiva para a decisão de entregar ou não o benefício. “Ele nunca se arrependeu dos seus crimes, foi a última coisa que disse a nós (da família), antes de ser preso, e tenho certeza que continua sendo um perigo público”, disse ela.

“Se meu pai estivesse livre hoje, não duvidaria em me sequestrar, me levar a um centro clandestino e me torturar com choques elétricos”, afirmou a filha do torturador, diante do tribunal.

Após sair da audiência, Analía Kalinec se emocionou, mas ainda assim deu uma rápida coletiva de imprensa. “Por mais que eu tente trabalhar internamente este tema, para estar tranquila na hora de falar, algumas partes das emoções acabam sendo incontroláveis”, desabafou a professora.


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