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25 de outubro de 2019, 21h22

Fracasso de Macri na Argentina ajudou na reeleição de Evo Morales em primeiro turno

Na campanha, Evo Morales comparou o candidato opositor, Carlos Mesa, com Mauricio Macri e disse que ele transformaria a Bolívia em uma Argentina

Foto: Reprodução/Twitter

O desastre econômico e social provocado pelo governo de Mauricio Macri na Argentina ajudou na reeleição de Evo Morales como presidente da Bolívia. A utilização de Macri como exemplo negativo na campanha eleitoral de Morales parece ter surtido efeito, pelo menos entre os 160 mil bolivianos que vivem na Argentina aptos a votar e que convivem com o cenário caótico promovido pelo PRO de Macri.

“As pessoas sentem os reflexos do desastre econômico na Argentina, principalmente no aumento nos preços de alimentos e nos serviços básicos, como luz, gás e água. Quer isso para a Bolívia”, questionava uma das peças publicitárias divulgadas pela campanha “Futuro Seguro”, de Morales, que comparava Macri com o opositor Carlos Mesa, que ficou em segundo lugar no pleito. No cômputo total, o atual presidente se impôs com uma vantagem de 10,57 pontos percentuais (47,08% x 36,51%), mas no país de Macri a vantagem foi sete vezes maior.

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Segundo dados do Órgão Eleitoral Plurinacional, Morales obteve apoio de 82% (descontados 3% de nulos e brancos) dos 101 mil bolivianos que foram às urnas na nação vizinha, contra 8,61% de Mesa, abrindo 73,99 pontos de vantagem no país que possui a maior população boliviano no exterior. Os 80,424 votos obtidos por Evo neste país correspondem a 1,31% dos votos válidos totais (6.137.671), sendo essenciais para a vitória em primeiro turno.

Fórum montou uma tabela demonstrando como ficaria a eleição na Bolívia caso fossem descontados os 101,2 mil votos dos bolivianos residentes na Argentina. Evo atingiria 46,53% contra 36,98% de Carlos Mesa, apresentando uma vantagem de apenas 9,54 pp., insuficiente para um êxito em primeiro turno.

Dados: OEP

No Brasil, a porcentagem também foi relevante, mas um um número mais baixo de eleitores. No país, 70,72% do eleitorado chancelou a candidatura de Morales, enquanto a porcentagem de 9,65% votou em Mesa e 16,72% no pastor evangélico Chi Hyun Chung, comparado com o presidente Jair Bolsonaro. Dos mais de 45 mil eleitores aptos, votaram 32,5 mil. O boliviano que vive na Argentina convive com o subemprego e a pobreza, além da forte discriminação, e está mais sujeito às oscilações sociais. Segundo dados da imigração Argentina, são mais 300 mil residentes bolivianos no país. Macri, inclusive, ameaçou uma deportação em massa, gerando grande indignação no governo boliviano.

2014 e 2009

Apesar da porcentagem de Morales na Argentina ser inferior às eleições de 2014 e 2009, quando superou 90%, o número de votos e o comparecimento no país nunca foi tão alto, demonstrando que mais gente se mobilizou para ir aos centros de votação. Nas duas ocasiões, o atual presidente teve cerca de 60 mil votos e, em 2014, menos de 60% dos bolivianos residentes no país foram às urnas.

Eleições na Argentina

No domingo (27), Mauricio Macri vai tentar buscar a reeleição em meio a um cenário de crise social e econômica no país. A chapa formada por Alberto Fernández e Cristina Kirchner tem grande possibilidade de derrotar o liberal ainda no primeiro turno, podendo chegar a uma vantagem de 20 pontos percentuais. Na Argentina, vale a mesma regra que na Bolívia.


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