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09 de novembro de 2019, 22h05

Golpe em curso: Oposição da Bolívia ignora diálogo, invade TVs públicas e amarra diretor de rádio sindical em árvore

Parte dos opositores não aceitaram diálogo proposto pelo presidente Evo Morales. As Forças Armadas seguem ao lado do governo enquanto parte da polícia se rebela

Reprodução/Bolívia TV

A tentativa de golpe de Estado promovida por setores da oposição na Bolívia avançou sobre meios de comunicação estatais e ligados ao movimento sindical. A emissora Bolívia TV e a rádio Pátria Nova tiveram seu sinal cortado pelos golpistas neste sábado (9) e José Aramayo, diretor de rádio ligada à Confederação de Trabalhadores Campesinos (CSUTCB) foi amarrado em uma árvores pelos oposicionistas. O presidente Evo Morales fez um chamado pelo diálogo com os três partidos de oposição que conseguiram eleger deputados nas últimas eleições, mas apenas um aceitou.

A Bolívia TV e a rádio Pátria Nova, canais estatais bolivianos, foram invadidos por manifestantes no meio da tarde deste sábado. Os jornalistas e trabalhadores das redes foram ameaçados de morte caso não fossem interrompidas as transmissões. A Defensoria Pública chegou ao local e garantiu que os funcionários pudessem deixar o local com segurança.

A presidenta da rede TeleSUR usou o Twitter para denunciar o ataque e publicar fotos do cerco montado. “Desalojam a TV estatal da Bolívia. Isso impede o trabalho dos jornalistas e bloqueia a capacidade de gerar informações sobre a situação do país”, postou.

Um pouco mais tarde, foi a vez da Confederação Sindical Única dos Trabalhadores Campesinos da Bolivia (CSUTCB) ser irrumpiada por golpsitas, que levaram o diretor da rádio “Comunidade”, que funciona na sedes da CSTUTCB, e o amarraram em uma árvore.

O presidente Evo Morales rechaçou os ataques. “Eles querem silenciar a imprensa para perpetrar o golpe. As redes estatais BTV e RPN foram invadidas por grupos organizados que, depois de ameaçar e intimidar jornalistas, os forçaram a abandonar suas fontes de trabalho. Eles dizem que defendem a democracia, mas agem como na ditadura”, declarou pelo Twitter.

“Como membro da CSUTCB, a organização mãe do movimento de camponeses indígenas do Pacto de Unidade, denuncio o ataque covarde e selvagem no rádio dessa confederação. No estilo das ditaduras militares, o ataque de golpe ataca a sede do sindicato”, completou Morales.

A casa do governador de Oruro, Víctor Hugo Vásquez, também foi alvo dos golpistas. A residência do dirigente do MAS foi incendiada no início da noite.

Tentativa de diálogo

O presidente propôs neste sábado a construção de uma mesa de diálogo para pacificar o país diante das grandes tensões que abalam a Bolívia, com uma grande multidão nas ruas, composta por opositores e oficialistas. Morales, que convidou os três partidos de oposição que obtiveram acento no Parlamento apenas recebeu respaldo do Partido Democrata Cristão (PDC), que disputou a Presidência com Chi Hyun Chun e ficou em terceiro lugar.

Já Carlos Mesa, segundo colocado nas eleições pelo Comunidade Cidadã (CC), não aceitou o convite, assim como Oscar Ortíz, do Bolívia Disse Não (BDN). Apesar da expressão eleitoral dos dois, o principal líder dos manifestantes mais agressivos é Luis Fernando Camacho.

As Forças Armadas e a Defensoria Pública respaldaram o processo de diálogo que o governo tenta promover e enxergam que essa é a única forma de solucionar a grave instabilidade que atinge o país desde as eleições de 20 de outubro. A OEA vai realizar uma auditoria nas urnas, que deve ser encerrada na quarta-feira.

 

 

Golpe na Bolívia


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